Outubro/2010

  1. “Uummannaq Song” – KT Tunstall: Um artista, por si só, conseguir unir rock, música eletrônica e experimental com atitude é fenomenal;
  2. “Ready To Start” – Arcade Fire: Se com “Funeral” eles surgiram, “Neon Nible” consolidaram-se, com “The Suburbs” Arcade Fire se tornam uma banda de som único e umas das mais relevantes do cenário musical atual;
  3. “You Learn” – Alanis Morissette: Sem palavras…
  4. “Me and Bobby McGee” – Janis Joplin: Janis até hoje é considerada uma das melhoras cantoras de toda a história, e o lirismo presente em “Bobby…” mostra o quanto ela ainda poderia ter criado… se não morresse de overdose em 1970;
  5. “You Had Me” – Joss Stone: “You had me/You lost me”, tudo isso e muito mais descrevem a ira de uma mulher desiludida no amor…;
  6. “Shine Over Babylon” – Sheryl Crow: “Detours” é um dos poucos álbuns que conheço que se situa em um contexto político e social. E “Shine Over Baylon” tem uma razão para estar contida nele. Filosofa como nenhuma outra canção do conjunto. Pode não ter a ironia e sarcasmo de “Gasoline”, mas só engrandece o trabalho de Sheryl Crow;
  7. “Let The Rain” – Sara Bareilles: Ela volta com um álbum multifacetado, desde o pop mais grudento até as fases mais introspectivas. Um destaque do conjunto;
  8. “Last Nite” – The Strokes: Lançado em 2000, “Is This It” ainda consta como uma “influente coleção de canções” para esta década. “Last Nite” o define bem: um rock alternativo minimalista e com letras inteligentes capazes de levar o melhor indie ao mainstream;
  9. “Horchata” – Vampire Weekend: Com claras influências africanas e psicodélicas, o Vampire Weekend tem uma virtude invejável: é coerente apesar dessa “confusão”;
  10. “The Hardest Button To Button” – The White Stripes: Quando eles foram lançados à grande mídia com “Elephant”, ressuscitaram o blues rock, gênero esgotado pelos Rolling Stones desde a década de 70. Essa é uma das canções chave do álbum;
  11. “Dog Days Are Over” – Florence + The Machine: Como descrever algo que está há cinco meses na sua cabeça? Simplesmente impossível;
  12. “1901” – Phoenix: Com uma bagagem indie/eletrônica, o Phoenix entrega um verdadeiro hit;
  13. “C’mon” – The Soft Pack: Com um refrão viciante, eles tocam um rock às vezes simplista, mas coeso (e viciante…);
  14. “Our Love Is Fading” – Sheryl Crow: Se em “Tuesday Night Music Club” e em alguns de seus trabalhos posteriores ela flerta com o R&B, em “100 Miles From Memphis” Sheryl Crow se entrega totalmente a ele;
  15. “Heavy Cross” – Gossip nunca conseguiu unir tão bem, em uma canção, o rock e o eletrônico;
  16. “Happier” – A Fine Frenzy: Uma canção calma, suave e com uma poesia que nem parece um “pé na bunda”;
  17. “I Need To Wake Up” – Melissa Etheridge: Mesma tirando toda a mensagem de Al Gore e tudo mais, essa música continua tendo um significado fortíssimo. Aliás, pode ser interpretada de diversas maneiras;
  18. “Cities Burning Down” – Howling Bells: Um alternativo perfeito;
  19. “Lucky” – Radiohead: Em “OK Computer”, o Radiohead experimenta um som fragmentado, expansivo mas sem deixar de lado o rock alternativo. “Lucky” é o melhor exemplo disso.
  20. “It’s My Life” – No Doubt: Me deem um exemplo de banda que conseguiria fazer um cover dessa música e continuar legal (tudo bem que eles acabaram logo depois…);
  21. “This Too Shall Pass” – OK Go: Esqueçam o videoclipe, essa canção exercita o melhor da paciência em todos nós…;
  22. “Wheels” – Jamie Cullum: Algo que eu nunca tive?;
  23. “Airstream Driver” – Gomez: Uma síntese do indie no ano passado, e isso é muito bom!;
  24. “Suddenly I See” – KT Tunstall: “This is what I wanna be”(…);
  25. “With Or Without You” – U2: Com exceção de “Achtung Baby”, a melhor fase do U2;
  26. “Times Like These” – Foo Fighters: Uma das canções mais inspiradoras deles;
  27. “Good People” – Jack Johnson: Não acredito no sarcasmo dele nessa música. No máximo, uma crítica moderada ao sistema vigente. Mesmo assim fascinante;
  28. “Skeleton Song” – Kate Nash: Uma das canções mais divertidas de “Made Of Bricks”. Aparentemente sem noção, a cada escuta o amor descrito vai tomando forma;
  29. “Don’t Tell Me” – Madonna: Do álbum “Music”, com uma escrita e produção formidáveis;
  30. “Loving Cup” – Rolling Stones: O blues rock em seu melhor.

Dusty Springfield – Dusty In Memphis

 

Ao ouvir “Dusty In Memphis“, é possível que você mergulhe na atmosfera blues e R&B dos anos 60. E isso não é ruim. Apesar de não ter alcançado um grande sucesso de público na época, é frequentemente citado como um dos melhores álbuns de toda a história da música (oh!). Com um estilo impecável, a soul/blues/saladadeestilos “Son Of A Preacher Man“, o estilo arrebatador de “So Much Love”, o minimalismo e o lirismo de “I Don’t Wanna Hear It Anymore”, os arranjos de “Just A Little Lovin'” provam como Dusty Springfield tratava de amor: classe e elegância atemporais. A mais agitada “Don’t Forget About Me” mostra todo o instrumental a favor da voz de Dusty. “Breakfeast In Bed” trata de amor de uma forma pragmática (e quem nunca o tratou assim?).”Windmills In Your Mind” é pura poesia combinando estilos diversos. “In The Land Of Make Believe” é auto-sugestiva. Em “No Easy Way Down”, há a comparação entre amor e balões de brinquedo, mas engana-se quem pensa que é retratado de forma “infantil”. “I Can’t Make It Alone” termina o álbum como uma clássica canção com um refrão difícil de esquecer. “Dusty In Memphis” merece, sem dúvida, o título de clássico.

Alanis Morissette – Jagged Little Pill

Poucos artistas na década de 90 conseguiram expressar tanta emoção e desilusão (um retrato bastante fiel, convenhamos) como Alanis Morissette. Em “Jagged Little Pill”, ela se encontra em meio a um complexo emaranhado de descrever a psique humana de maneira no mínimo detalhista. Em “All I Really Want”, uma faixa que se fala por si mesma, traz consigo sons e temas expansivos.

“Do I stress you out?
My sweater is on backwards and inside out
And you say: “how appropriate!””

“You Oughta Know” é o “hino feminista” (entretanto, nunca vi nenhuma feminista com sentimentos de verdade) dos anos 90. “Perfect” sintetiza toda a melancolia de uma mente frágil face ao mundo.

Com “Hand In My Pocket”, Alanis fala de felicidade de um modo extremamente simples. Mas toda essa “felicidade” que não passa de angústia disfarçada em forma de auto-aceitação. E Alanis defende isso: uma forma simples de encarar a vida, mas ela sabe que isso é difícil de fazer.

“You Learn” trabalha justamente um dos maiores dons de Sra. Morissette: a voz rasgada e sofrida, que a acompanha para criar uma das melhores canções do álbum. E há “Ironic”… que brinca de modo sutil com o significado das nossas vidas. Ao final, “Jagged Little Pill” é definitivamente um dos melhores álbuns dos anos 90, sendo uma exceção no meio do pop fabricado em laboratório da época…