Duffy – Endlessly (2010)

Quando Duffy surgiu no cenário musical em 2008 com “Rockferry”, sua mistura de soul e pop dos anos 60 chamou a atenção por ter ar de contemplação ao invés de originalidade. Apesar disso, criou um som típico seu, uma sonoridade marcante. Em “Endlessly”, Duffy é mais alegre nas composições. Se antes era tímida, em algumas das composições se torna uma “bad girl”.

“My Boy” traz uma sonoridade diferente, de certa forma mais forma, quase “disco”, o que se perpetua por quase todo o álbum. Ela canta “I can’t control these feelings I have inside”, ou, “You’re my boy”, repetidamente “Son Of A Preacher Man“. Percebe-se, na primeira faixa, o tom que Duffy toma como praxe pelo disco (ainda temos isso?) todo.

Em “Too Hurt To Dance”, a cantora galesa mostra afinal a confusão que um álbum não coeso tem. A voz se sobrepõe demais ao ritmo da canção em uma composição literal demais que tenta relembrar os clássicos de Dusty Springfield (influeência óbvia da cantora) de forma mais “moderna” em um refrão que diz “If they call it heartache, where’s the rest of the boy aching?”.

Em “Keeping My Baby”, Duffy traz uma canção desnecessária ao contexto do álbum. “Rockferry” tinha uma forte coerência interna. Chega-se a uma conclusão: “Endlessly” não tem razão nenhuma para existir senão ser um disco pop forjado ao estilo dos anos 60.

“Well, Well, Well” é comparável a “Rain On Your Parade”, só que mais inofensiva (e isso acaba se tornando um problema). Tenta reproduzir um som radio-friendly, junto com o que foi ouvido nas primeiras faixas.

“Don’t Forsake Me” cai na redundância das baladas românticas, porém com um refrão respeitável. É a primeira canção sincera do álbum: “I can’t make it alone…”

“Endlessly” tem um arranjo mais do que clichê que já ouvi em algum lugar… Mas o lirismo acaba compensando. “I’m looking for you in everywhere and everything I do”.

“Breath Away” é possivelmente a melhor faixa de “Endlessly”. Nela, Duffy canta várias vezes “Now it’s me who cries” como punição a si mesma (talvez uma punição a ter cedido às formas mais nocivas de europop). A frase “You’re taking my breath away” pode não soar muito original, convenhamos. Mas o todo faz com que a voz dela floresça.

“Lovestruck” continua a tradição da primeira metade do álbum. Esqueça a temática da conquista amorosa e poderá se ver que é um dos (poucos) destaques do disco. É basicamente derivada de pop techno.

“Girl” continua na mesma linha. A voz de Duffy tenta acompanhar, mas a letra se perde em um conto de fadas (no pior sentido) amoroso. A canção (preferencialmente) pode (e pelo bem da humanidade deve) ser entendida com alguma espécie de paródia de uma canção girlie bem, bem antiga.

“Hard For The Heart” é uma boa canção amorosa (e acaba se tornando uma exceção em mei0 a tanto disco). No final, as melhores canções de “Endlessly” são as em que Duffy não tenta ser uma pop star à la 60’s, e sim uma cantora soul comprometida consigo mesma. “Endlessly” tem altos e baixos, e nos baixos é um pop digerível e sem alma.

Nota: 2,5/5

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