William Basinski – The Disintegration Loops I-IV (2001)

Tempo. O que seria de nós sem ele? O que seria do tudo? Nada? A música de William Basinski tem um conceito multifocal em que o tempo é peça-chave: preservação e destruição.

William diz que tentou passar para o formato digital o áudio de fitas velhas dos longíquos anos 80. Mas o próprio ato de preservação destrói: com o passar do tempo, as fitas se desintegram, alterando a própria sonoridade, até que só sobre magnetismo, e daí silêncio total.

Não é só conceitualmente rico, é o som do desespero, do fim eminente. Na verdade, o tempo é agente intermediário no escapismo sonoro. É a beleza da destruição.

Durante a reprodução de tais loops, uma das únicas coisas em que consigo pensar é na beleza devastadora, o sufocamento de ideias, a catarse implícita do som.

Um dos grandes acertos de Basinski é a capacidade de abstração. E é por causa dela que The Disintegration Loops soa tão etéreo, frágil. O conceito de inatingível, proposto por esta obra dá luz a esse caráter absurdamente metafórico aos loops. É aí que The Disintegration Loops revela sua verdadeira maestria. Que a música de Basinski seja sobre morte , vida, alienação ou desepero, ainda falta algo: a cumplicidade do ouvinte para dar sentido ao abstrato. Não só a atenção, mas a reflexão. O processo de reflexão, talvez porque os loops recorram ao tempo. É a música olhando para si mesma.

10/10

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