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Adele e o conto de fadas do pop contemporâneo – ou como a nação coxinha vai dominar o mundo

Já se tornou um enorme clichê dizer que o pop vive em círculos (nem tão perfeitos, é verdade), mas é praticamente impossível discursar sobre o assunto sem dizer que para Justin Bieber há já uma Lady GaGa e para cada Adele (já era hora de falar dela, não? Afinal, o post é sobre ela…) há uma espécie de Radiohead.

Admito que essa é uma forma bastante pragmática de se tratar a indústria fonográfica, mas, sinceramente, que outra forma temos em uma época de verdade trambolhos empresariais como o Black Eyed Peas?

Adele é, portanto, uma verdade caricatura desse nosso momento. Mas a pergunta mais importante que quero tentar responder é: Por que ela faz tanto sucesso?

21, o álbum que a lançou ao estrelato, é bastante regular, se não fosse a presença de dois singles fortíssimos (mas nem por isso exatamente excelentes), “Rolling In The Deep” e “Someone Like You”. E é por isso que, muito provavelmente, 21 será conhecido como o Fearless de 2011.

Adele, com “Roilling In The Deep”, um dos maiores hits do ano

Quando pergunto para as pessoas o que elas mais admiram nela, o primeiro fator (e talvez único, ora) é a voz. Esse é um argumento vazio (vide Bob Dylan e o diabo a quatro), mas o caminho que quero seguir não é esse, então eu divago…

A música de Adele é basicamente teatral, e por isso segura, e 21 a apresenta de forma derivativa. Portanto, o sucesso de Adele não é totalmente imprevisível. Os dois hits que ela emplacou vão do gigantesco (“Rolling…”) até o mais ìntimo (mas não menos épico), na já citada “Someone Like You”. Esse desdobramento, no mercado da música, é, acima de tudo, necessário.

Ela entrega suas emoções derradeiras de forma pronta, apática. Ela é a mulher de coração partido que canta de maneira digna sobre amor, com hinos gigantescos. E, caramba, quem não se identificaria?

Mas tamanha previsibilidade faz nossas esperanças musicais retrocederem: o que acontecerá depois de Adele? Qual será o fenômeno pós-Adele? Como já foi dito, o pop vive em ciclos. Então, a pergunta agora é: quando nós teremos uma nova Lady GaGa, só para agitar o nosso mundo?

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