Performe

Natu­ral­mente que nossa idolatria da per­for­mance é, por neces­si­dade, con­tra­di­tó­ria e dis­tor­cida. Na mesma medida em que nos pros­tra­mos diante de santos con­tem­po­râ­neos como Senna, nos delei­ta­mos na des­cons­tru­ção pública de outros de nossos ícones. Acom­pa­nha­mos com delícia e horror o espe­tá­culo da auto-destruição de Michael Jackson ou a infâmia do mais recente ídolo do rock encon­trado morto e drogrado e nu (não neces­sa­ri­a­mente nessa ordem) em sua banheira. Torcemos pela pobre­zi­nha do Big Brother, e no momento seguinte vemos com um misto de inveja e indig­na­ção sua decisão de posar para a Playboy. Intuímos, no entanto, que faz tudo parte do espe­tá­culo e que toda religião tem seus sacri­fí­cios e vítimas.

Paulo Brabo, O culto da performance

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