Luz suburbana

Existe algo de encantador, eu diria, em álbum como Suburban Light em tardes de sábado. Se existe algo como função em música (algo que venho desacreditando cada vez mais com o passar do tempo), e se não é feio escutar música de maneira simplesmente pragmática (é sim, mas enfim), há algo de reconfortante em estabelecer esta ligação de suporte com o Clientele: de um lado, um disco que parece meditar e ficar parado esperando admiração, quase que como um monumento polido. De outro, uma pessoa esperando usufruir de todo aquele movimento estático de um sentimento bem específico.


(Recomendo a leitura da resenha — bem recente — de Mark Richardson do disco na Pitchfork).

How you, casual Facebook user, can improve the state of journalism today | Death and Taxes

So you have to strike a balance. In order to afford to be able to write your serious stuff, you have to write some fluff. Because most sites rely on traffic to generate revenue and pay writers. Most sites, including us, post more fluff on Facebook, because that’s what drives people to our site. We then hope that some of you will take a moment to look through the site and see some of our more substantial stuff.

This, understand, is why it’s really great for us when there’s some kind of pop culture crossover into the realm of “important shit.” If we can couch a conversation about racism or bigotry or cultural appropriation or sexism or misogyny into a post about Paula Deen or Phil Robertson or Avril Lavigne, then it’s all the better for us. Because–traffic-wise–that spoonful of pop culture sugar helps the medicine go down.

This, my friends, is how your internet sausage gets made.

But you can change that. You–quite honestly–have way, way more power than we do. You are the audience. You are our customer base. We only do what we do because it’s what you, the audience, respond to. Think of websites as a store. If you go into a store and buy 20 pairs of hot pants, that store is going to re-order hot pants. Don’t buy 20 pairs of hot pants and then complain about how a store stocks nothing but hot pants.

via How you, casual Facebook user, can improve the state of journalism today | Death and Taxes.

How Twitter empowers liberal trolls

For those groomed on Common Core math, this means that if you had invested $10,000 in December, you would have already lost more than $5,800.

Although a fan of Facebook, I never much trusted Twitter and have used it only sparingly. So I was surprised about a month or so back to find my “Notifications” box cluttered with cryptic messages that seemed to be attacking me from the right.

A little naïve, I sent a polite email to the sender asking what he was hoping to accomplish and received a snippy, cryptic response in return.

Doing just a little digging, I stumbled into a sad, nasty little underworld of whose existence I had been only dimly aware.

As best I could figure, a small corps (pronounced “corpse” in Obama-speak) of liberal trolls had concluded that I was the co-leader of an extremely effective group called the Tea Party Fire Ants (TPFA) who had been tweeting under the name “Frank M Davis JR.”

For reasons of his employment, that individual remains anonymous. As I have since learned, he is a very bright, media-savvy guy from the East Coast who goes by the name “Proe.”

via How Twitter empowers liberal trolls.

Não adianta nada a prefeitura ficar atirando quadros de Rubens nas pessoas, do alto das janelas do quinto andar, achando que ao caírem nas cabeças do público paulista os quadros vão produzir cultura. Mesmo que eles tivessem quadros de Rubens à disposição, seria uma má tática.

Cá entre nós, todas as pessoas que vi na última Virada Cultural, artistas e público, pareciam figurantes dos filmes Desejo de Matar. Aqueles mesmos que ficam chutando as sacolas de compras de velhinhas  poucos segundos antes do Charles Bronson entrar em cena.

A única Virada Cultural possível é ficar em casa lendo um livro. Aliás quando vi o mapa do centro da cidade, onde estavam marcados os cinco principais eventos da Virada, aquilo me pareceu familiar. Só  hoje acabei lembrando o que aquilo parecia: o mapa das localizações dos assassinatos das cinco vítimas de Jack o Estripador.

Queria colar aqui uma superimposição dos dois mapas, com um texto dizendo que a cidade queria fazer com a cultura a mesma coisa que Jack  o Estripador havia feito com as prostitutas do East End de Londres. Mas não estou encontrando o Paint no meu Mac novo.

Alexandre Soares Silva, “A verdade sobre a Virada

Retromania

Uma breve introdução: em 2011, Simon Reynolds meio que sacudiu as conversas sobre música, pelo menos para quem gostava e era estúpido o suficiente para perder tempo lendo livros assim, porque ele simplesmente constatou algo sem muitas provas a favor dele: nós estávamos ficando obcecados em relação ao nosso passado ou, pelo menos, em relação à nossa ideia de passado — um passado bem construído, uniforme, despreocupado, bem digno dos livros de História que a gente lia na escola no Ensino Fundamental. Tudo isto na cabeça de Simon Reynolds.

As respostas foram as mais variadas. Há muitos problemas com Retromania, o livro de 2011, e a melhor resposta a tais problemas foi publicada no Tiny Mix Tapes mais cedo este ano. Intitulada “The Trouble With Comtemporary Music Criticism”, o texto vai na jugular da questão: os retromaníacos, que são as pessoas adeptas do que Simon Reynolds escreveu (junto com alguns autores pós-modernos da década de oitenta — sim, acredite, esta retórica vai regredindo ao infinito), agem de maneira que consegue enganar fácil. Eles criam um marco definitivo no tempo do século XX e marcam ainda mais outro, momentos que delimitam o fim de uma criatividade, e anunciam o melhor da arte como a arte esplêndida que inova a qualquer momento. Tiram uma fotografia do tempo e, como todos sabem, fotografias mentem, já o momento específico a que elas se referem não é o mesmo de um fluxo eterno de atitudes, de criações, de imaginação.

Esta é uma tentativa de definir o que eu odeio, mas, se fosse colocar em um post qualquer, como eu defenderia um posicionamento a favor de determinada questão. Vindo do Daily Prompt.

Se eu tivesse que dizer algo de bom a respeito de, digamos, a retromania como conceito, é um conceito que eu não consigo culpar muito bem pois, vejamos, ele é o que nós necessitamos no momento. É o conceito chinfrim que mais nos serve. É o que temos, como alguns mais velhos e sábios diriam.

Porém, isto seria somente pragmático, e sabemos que ninguém quer isto (certo?). A retromania como ideia aplicada ao nosso mundo é idiota. Como bem disse o texto citado da Tiny Mix Tapes, o livro de Reynolds construiu uma blogosfera (melhor dizendo: um mundo inteiro, uma cultura pop inteira) sensível ao que soa ligeiramente retrô. Se nós já éramos obcecados pelo antigo (algo do qual eu duvido muito), agora nós, ironicamente, reforçamos nossa obsessão ao sermos sensíveis a esse mundo, a esse escopo.

Quer, enfim, ouvir algo de bom da retromania? Acho que, no fim de tudo, nós merecemos essa desgraça.