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Mean Girls não queria ser um clássico

Antes disto, antes de Mean Girls ter seu aniversário de dez anos celebrado em cada canto da internet, antes de todos vestirem rosa (porque, ora, é quarta-feira!), vi, no Twitter, há uns dois anos, enquanto esperava na lanchonete da faculdade, um tweet um tanto quanto provocativo: “Agora, na Sessão da Tarde, o clássico moderno da nossa geração” (grifo meu). Tenho uma vaga lembrança de quem foi que escreveu aquilo, mas lembro de ter retuitado e curtido. Concordei profundamente com a tese proposta. Num tweet. Lembro de ter pensado: Existe algo mais nós que Mean Girls na Sessão da Tarde com uma enxurrada de tweets?

Agora eu penso: Existe algo mais nós que Mean Girls (sem mídias sociais aí, só o mérito mesmo)?  Um filme sobre a adolescência suburbana e classe média americana que deixa, segundo alguns (eu), Clueless no chinelo?

É inevitável falar em como um filme assim preencheu o vácuo existencial dos filmes essenciais da adolescência na década passada. Num texto para a New Yorker habilmente intitulado “Why ‘Mean Girls’ Is A Classic”, Richard Brody coloca alguns dos bordões que o filme criou (graças ao roteiro de Tina Fey):

“Four for Glenn Coco! You go, Glenn Coco! None for Gretchen Wieners.”

“You can’t just ask people why they’re white.”

“You will get chlamydia and die.”

“It’s like I have ESPN or something.”

“Brutus is just as cute as Caesar, right?”

“I’m the cool mom.”

And, of course, the inevitable “I can’t help it if I’ve got a heavy flow and a wide-set vagina.” And “Well, this has been sufficiently awkward.”

Concordo com Brody quando ele diz, por exemplo, que o filme é um clássico da mesma forma que um Casablanca é: vale mais pelas atuações e pela performance do todo do que propriamente pelo olhar do diretor a um determinado objeto. No caso de Mean Girls, o objeto é a vida no ensino médio como uma forma de selva africana (sem nenhum princípio de racismo aí, garanto).

O que talvez deva ficar mais claro, até para que eu termine isto de forma menos vergonhosa (já que tudo o que eu queria fazer era falar do texto de Brody e citar bordões) é que, muito embora Mean Girls tenha algo de crítico em si (através dos estereótipos), o que eu mais adoro no filme é um olhar aguçado, quase obsessivo, pela cultura pop em si: os diálogos são escritos como literatura twee, como se eles deveriam viver sozinhos na nossa cultura como um todo (e eles foram: Mean Girls adentrou o pop e nenhum filme sobre desigualdade econômica no ensino médio foi feito da mesma forma), como trechos afiados sobre nós e as personagens ao mesmo tempo. Aí eu digo: Mean Girls não queria ser clássico. Se alguém está infeliz com isto (porque, digamos, “o pop é ruim”), culpe a si mesmo.

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