Quando é que você vai escrever?

Foi no ano passado, no primeiro ano de faculdade. Duas amigas, que hoje não se falam mais (isto seria tópico para outro post, se eu tivesse coragem  — ou indecência — de contar algo assim, esta história, em meros posts), querem ver o site do qual eu tanto falo, o 4 Track. Elas olham e leem tudo aquilo e depois perguntam: “Você recebe alguma coisa por isto?” “Isto?”, “É. Escrever sobre música”. “Eu? Nada, faço porque gosto”. Enfim: depois mostro o Medium, e uma delas retruca: “Danilo, quando é que você vai escrever sobre a gente?”

Rever esta conversa que, na época, poderia ter passado despercebido para qualquer pessoa com boa cabeça, foi algo que fiz depois de pensar um pouco sobre o que significa ter um blog. No início da década passada, ter um blog e escrever sobre qualquer coisa era mais ou menos como ter um canto só seu na internet, algo infantil, mas que algumas boas almas ainda preservam — ainda que nem tanto quanto gostariam porque, enfim, o tempo passa e as coisas mudam. De novo, isto seria tópico para outro post ou outro blog inteiro ainda. Mas quem sabe.

Um blog hoje em dia requer publicidade. Não de corporações que querem te sugar, mas um tipo ainda mais perigoso de publicidade. Escrever hoje em dia — e tem muita gente ruim e malévola incentivando essa ideia hoje em dia — requer um grau de narcisismo e egoísmo que os melhores na área já definiram bem antes de nós começarmos a trabalhar as ideias no papel neste blog, resultando, como eles dizem, em publicidade, em marca pessoal.

Nunca me identifiquei com algo assim, e por isso eu esteja fadado a nunca escrever sobre grandes temas que assolam o mundo, partindo dessa publicidade, chamariz de atenção. Não seria bom jornalista, porque sempre coloco minha alma em coisas que não querem minha opinião de principiante. Opinião, no caso, não de um especialista, mas de uma pessoa.

Já lido bem com esta afirmação, com essa conjuntura. Aceito-a. O problema é ter sobre o que escrever. Por exemplo, quando alguém muito bom me pergunta sobre o que escrevo, digo, sem pensar muito: “música”. Agora, “que tipo, que gênero de música”, aí são outros quinhentos.

Por isto, aquela conversa do ano passado revela algo de estranho nisto tudo, e é por isto que lembro dela de forma nítida. Quando é que vou escrever enfim de coisas que importam para mim, e, ao mesmo tempo, ao mundo? Falta um tanto de segurança em escrever. eu sinto. De pular da janela, como em um filme teen e barato dos anos oitenta. Como em Easy A, Jon Hughes não narrou nada aqui.

Pois bem, até que dá tempo.

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