Retromania

Uma breve introdução: em 2011, Simon Reynolds meio que sacudiu as conversas sobre música, pelo menos para quem gostava e era estúpido o suficiente para perder tempo lendo livros assim, porque ele simplesmente constatou algo sem muitas provas a favor dele: nós estávamos ficando obcecados em relação ao nosso passado ou, pelo menos, em relação à nossa ideia de passado — um passado bem construído, uniforme, despreocupado, bem digno dos livros de História que a gente lia na escola no Ensino Fundamental. Tudo isto na cabeça de Simon Reynolds.

As respostas foram as mais variadas. Há muitos problemas com Retromania, o livro de 2011, e a melhor resposta a tais problemas foi publicada no Tiny Mix Tapes mais cedo este ano. Intitulada “The Trouble With Comtemporary Music Criticism”, o texto vai na jugular da questão: os retromaníacos, que são as pessoas adeptas do que Simon Reynolds escreveu (junto com alguns autores pós-modernos da década de oitenta — sim, acredite, esta retórica vai regredindo ao infinito), agem de maneira que consegue enganar fácil. Eles criam um marco definitivo no tempo do século XX e marcam ainda mais outro, momentos que delimitam o fim de uma criatividade, e anunciam o melhor da arte como a arte esplêndida que inova a qualquer momento. Tiram uma fotografia do tempo e, como todos sabem, fotografias mentem, já o momento específico a que elas se referem não é o mesmo de um fluxo eterno de atitudes, de criações, de imaginação.

Esta é uma tentativa de definir o que eu odeio, mas, se fosse colocar em um post qualquer, como eu defenderia um posicionamento a favor de determinada questão. Vindo do Daily Prompt.

Se eu tivesse que dizer algo de bom a respeito de, digamos, a retromania como conceito, é um conceito que eu não consigo culpar muito bem pois, vejamos, ele é o que nós necessitamos no momento. É o conceito chinfrim que mais nos serve. É o que temos, como alguns mais velhos e sábios diriam.

Porém, isto seria somente pragmático, e sabemos que ninguém quer isto (certo?). A retromania como ideia aplicada ao nosso mundo é idiota. Como bem disse o texto citado da Tiny Mix Tapes, o livro de Reynolds construiu uma blogosfera (melhor dizendo: um mundo inteiro, uma cultura pop inteira) sensível ao que soa ligeiramente retrô. Se nós já éramos obcecados pelo antigo (algo do qual eu duvido muito), agora nós, ironicamente, reforçamos nossa obsessão ao sermos sensíveis a esse mundo, a esse escopo.

Quer, enfim, ouvir algo de bom da retromania? Acho que, no fim de tudo, nós merecemos essa desgraça.

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