Dois dedos

Meu cachorro, um shitzu por vezes bastante divertido, às vezes meio tímido e antissocial (puxou um dos donos, eu acredito), voltou há duas semanas com o pelo do corpo praticamente todo cortado. Deixaram só dois dedos. O choque foi imediato e, enquanto o cara do pet shop tirava o coitado da pequena jaula, pronto para ser entregue em casa, eu lutei para não dar uma risada bem diante do moço.

Liguei para minha mãe prontamente, avisando o que ela veria quando chegasse à nossa casa. Tentei evitar um eventual infarto. Enquanto eu dizia o que eu deveria dizer, não consegui esconder algumas risadas enquanto olhava o cachorro. “Danilo, você está rindo ou chorando?”, ela perguntou no telefone. Desliguei.

“Então, ele parece que está doente”, meu pai disse mais tarde, à noite, no mesmo dia.

“Vou processar a mulher do pet shop, vocês vão ver”, minha mãe prontamente avisou.

Até agora ela não quis ligar para a moça do pet shop, dizendo que, se, no caso dessa ligação ocorrer, seria a minha mãe a verdadeira processada por difamação.

Meu pai alertou para o fato de que o inverno seria rigoroso com um cachorro (tão pequeno como o nosso por sinal) sem muito pelo e com pele muito exposta. Quando avisei ele pelo telefone, a primeira coisa que ele gritou foi “Mas eu avisei que (…)!”.

Dia desses, ele soltou a pérola: “Será que o pelo dele está crescendo ou a gente está se acostumando com o pelo dele assim agora?”

Às vezes eu penso que meu pai é um gênio disfarçado.

 

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