O ar na cidade agora, em pleno dia de jogo do Brasil na Copa de Mundo, está mais seco, está mais pesado devido ao frio.

São nestes momentos que você percebe — o simples andar para fora de casa para resolver problemas casuais — a poluição dos carros e caminhões batendo bem na sua cara. Aquele ar quente que resiste em sair do seu rosto.

Penso, agora, sobre a questão da desordem, algo que um pessoal no Tumblr e do WordPress adora comentar (postular seria uma palavra melhor ainda) com — olha só! — ares de propriedade.

Não falo de uma desordem que chame a noção mais conhecida do brasileiro médio de caos — um monte de gente não sabendo o que fazer, o que enfim “sentir” em determinado lugar –, mas de uma condição estética mesmo em primeiro lugar.

No meu bairro, vejo estes resquícios de uma tradição que já se prostituiu ao progressismo e ao liberalismo. Não só porque tudo é feio, como boa parte da cidade — corrijo: toda a cidade, a cidade em si (se preferir assim) — mas porque há uma demonstração de crescimento exacerbado em todos os cantos (o que, enfim, contribuiu para a contaminação da paisagem). Lembro de uma citação que separei há um mês, mais ou menos, que fala de maneira interessante da questão dos carros e, consequentemente, do urbanismo que nos é jogado na cara todo dia.

The people who built the cars and the roads didn’t intend for this to happen. Perhaps they didn’t feel they had a say in the matter. Maybe the economic interests promoting car culture were too strong. Maybe they thought this was the inevitable price of progress. Or maybe they lacked an alternative vision for what a world with cars could look like.

(De uma palestra chamada The Internet With a Human Face. Vale a pena ler tudo aqui.)

Não é que carros são essencialmente uma forma ruim de condução. É que não sabemos mais como lidar com eles sem que nos tornemos escravos dessa locomoção. Não conseguimos — e aí está a palavra chave: — imaginar uma vida sem que estejamos presos a um.

Foi quando o homem perdeu o contato com a terra e com sua natureza que ele perdeu o contato com si próprio.

Então o ar está mais pesado porque está mais frio, o mais incauto pensaria.

 

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