A cada dia que passa, eu fico mais convencido de que escrever sobre determinado assunto não tem  a ver muito com o conhecimento deste determinado escopo, desse assunto. Não digo que as pessoas que escrevem a respeito de música, por exemplo, não devem conhecer música — muito pelo contrário aliás. Digo, porém, que não é um conhecimento que deve ser restrito ao assunto. Citando as professoras mais progressistas do Ensino Fundamental, esta é uma “atividade multidisciplinar”.

Para escrever, é preciso não somente ter um domínio intelectual, mas também, físico e emocional sobre a paisagem que se quer pintar com as palavras. Digitação e caligrafia requerem controle emocional, assim como a via da abstração para o concreto que requer controle ideológico de si mesmo, para que extremismos não sejam facilmente feitos.

Escrever requer uma ideia de mundo e ela não vem facilmente. Conheço gente que quer escrever sobre as montanhas sem nunca ter saído do quarto. Na verdade, retifico: criar (roubar da consciência de outrem em outro momento) algo, qualquer coisa, requer entendimento estético ainda. Entendimento este que transcende o ser em si próprio.

 

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