7/11

Beyoncé é dessas popstars que têm fascínio em recriar situações do cotidiano — vide Taylor Swift, porém B tem mais empatia — somente para demonstrar o que a vida doméstica pode ser nas mãos de alguém (mais) criativo. “7/11” é uma realização disto.

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Late Victorian Holocaust

O problema do misticismo em música é que ele quase sempre soa — melhor dizendo: se torna — gnóstico, tentando entender as coisas do além da música com ferramentas do pensamento humano. É um esforço grandioso, às vezes, que não passa de uma tentativa fracassada de ser mais que a música em si. Às vezes música é somente música mesmo. E fica tudo bem assim.

“Late Victiorian Holocaust” é um pequeno retrato desta visão de mundo, em que Marianne tenta dar um grande significado — com pompa e tudo mais que envolve a canção — dando peso a um determinado acontecimento.

No final das contas, a dramatização não nos leva a lugar algum. Talvez por ser profundamente didático. Talvez por ser demasiadamente forçado.

Retomada

Para quem lê este pedaço (ínfimo, vamos lá) da internet sabe que este site já teve mais recomeços do que visitantes únicos desde que comecei este blog em 2011. Mas sempre que eu me desentendia com o Tumblr (melhor dizendo: toda vez que eu me desentendia com as pessoas e com o modo do Tumblr) eu sempre voltava para esta url. Ela, de alguma forma, seria um retrato melhor da escrita e dos colecionáveis que eu catava (e catalogava) colocando tudo aqui.

O Tumblr ainda é uma das formas mais bonitas que se tem hoje na internet de colecionar links nonsense. Admitemos: aquilo é um paraíso do dadaísmo. Mas o WordPress ainda é uma casa mais bem arrumada do que tudo o que eu já presenciei. E o Medium é o local para designers de tipos.

Então aqui está dado um ultimato: uma volta à forma clássica de blog. Mais uma vez.

Hoje

No The Singles Jukebox, duas resenhas para o dia. Uma sobre “Chasing Time”, de Azealia Banks (um belo dum 4), e outra para “Blank Space”, de Taylor Swift (um belo dum 9). A seguir.

Danilo Bortoli: Azealia Banks has got to be the first rapper in recent memory to have a Greatest Hits compilation released before a proper debut. (Let’s not fool ourselves, Broke With Expensive Taste does not feature that much new, quality material to justify its existence.) “Chasing Time” is, by comparison, her “Celebration”, the kind of filler most artists release just to make these album releases more bearable. On top of that, Banks has admitted “Chasing Time” is a result of the strange, complicated relationship she had with her old label while searching of a hit, which is the worst environment someone’s pop sensibilities should be obligated to develop into a track that could be played in the radio — something Azealia used to manage to do easily (once). And maybe this crazy, unfortunate pressure might explain why “Chasing Time” sounds so forced and generic, a rushed attempt at commercial house. If only she could stick to Lone forever.

***

Danilo Bortoli: “Love’s a game, wanna plaaaaay?”: this “Blank Space” line is where 1989 really starts, the first moment we get to listen to classic Taylor. Everything that comes before it is just irrevalent for the great narrative that is Taylor Swift. It’s all in this song: the word plays, the hard to believe but perfectly quotable storytelling, the Manicheism: it’s either going to be forever or going down in flames. But the difference with this ultimatum is that it’s not as dramatic as any of Red‘s ramblings. It’s actually the sound of Taylor coming to terms with the post break-up (almost spirituous) tone that permeates the entire album. It’s the sound of a simple, self-empowering proposal: you can come whenever you want (and most importantly, at your own risk), but don’t expect her to beg you to stay.

Dia desses

Uma das principais formas de safadeza que eu tenho apreendido a observar com mais cautela recentemente é a maneira mesquinha com que alguns tentam decifrar algum entendimento, portando-se de voz autoritária para se fazerem ouvidos. A diferença é que esse autoritarismo medonho é travestido de política de boa vizinhança — uma conduta que poderia muito bem, sem problemas, ser classificada como satânica mesmo.

Assim como se vê aqui por exemplo.

A mulher de verde

Increasingly, though it’s Jenny and not me who has problems, I’m the one who calls Jenny, simply for the pleasure of hearing her speak. She goes to Ivan and his wife’s house every morning, when Ivan’s away, in what seems an implicit agreement between the two women. The wife lights a cigarette in front of Jenny, who, never having smoked in her life, having always looked on cigarettes with virtuous horror, can’t imagine that pleasure, and yet now she envies this gesture, and her own, her adorable way of pushing a lock of her hair back along one side of her head, now strikes her as trivial, inadequate. Her parents’ fears have come true: She’s losing a part of her dignity, but not for the reasons nor in the circumstances they imagine. She’s forgotten that she’s a woman adrift, alone and abandoned, that no one anywhere feels any need for her, that she was loyal to her profession and that her profession coldly rejected her—all that, which so consumes the two old people’s thoughts, she’s forgotten, and so she’s no longer ashamed. But before Ivan’s wife she’s tormented by the sort of disdain that she feels for herself, for her physical person, for her own insignificance. Ivan’s wife humbles her, not deliberately, unaware that she’s doing so—and if she did know it and want to, Jenny would never let it happen.

Marie NDiaye, “The Woman In Green”