Feliz Natal

Há uma espécie de solidão que os feriados nos proporcionam que só os mais desencantados conseguem perceber — ou, para o desespero de um Guenon (e seus seguidores) — sentir a presença. É a solidão entre as pessoas que mais perambulam do que propriamente ficam em algum lugar específico.

As ruas ficaram vazias — talvez por causa do horário (nove horas da manhã), talvez por causa da data especial, talvez pelos dois — o comércio fechou e não havia uma alma por onde eu percorri meu trajeto cotidiano. O que eu percebi, então, ao ver as ruas desertas com pessoas festejando e comemorando algo dentro de suas casas com seus familiares foi que o Natal, mais que qualquer outra data comemorativa, nos apresenta um teste. Um teste da tradição e das almas boas.

O Natal não foi feito para pessoas perambularem obviamente. Este não é o propósito dele. Ele lembra comunhão afinal de contas. O maior teste é então preservar este último resquício de união — de perceber que a solidão só existe para aqueles que negam as festas — e a comunhão principalmente.

Schopenhauer entenderia.

Coleções

Há algo sobre as vésperas de grandes acontecimentos que funcionam, quase sempre, como preâmbulos para um acontecimento que vem a seguir. Nesse caso, claro, não falo do fato — óbvio por si só — da véspera que preconiza o Natal inevitável em toda sua glória, mas de um simbolismo pulsante que vem de datas nada aleatórias.

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Este disco tem acompanhado muito de minhas decisões ultimamente. Para o bem ou para o meu que elas escondem, eis um bom remédio.

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O final de ano para mim — pelo menos, o de agora — guarda sempre um pouco de euforia por aqui. Particularmente, ando mais ansioso que o normal: a perspectiva de escrever para publicações bem maiores que o número de pessoas que lê o que eu escrevo geralmente é tão incrível quanto estarrecedora. Lá vem uma noção de responsabilidade com a qual nunca aprendi a lidar. Tenho algumas ideias a serem colocadas em prática em 2015. Quem sabe.

Port Dusk

Provavelmente, eu já disse isto algumas outras vezes — mas não aqui: as minhas caixas de som não estão no que eu diria “ótimas condições”, mas elas ainda dão para o gasto. De ontem para hoje, elas, não sei como, pioraram e estão insuportáveis de vez. Não conseguem tocar nada direito. Exceto este álbum, Glam, do Mouse On Mars e discos parecidos com ele. Vou aproveitar enquanto penso em qual outro sistema de som comprar.