Inteligência e burrice

Algumas considerações do Facebook que, pensando melhor, deveriam ter parado aqui.


Há alguns dias eu tava pensando sobre o que faz de alguém burro ou inteligente. Não me perguntem a razão por trás desse questionamento, mas talvez assistir a Evangelion numa tacada só tenha influenciado essa série de pensamento.

É que a maioria das pessoas associam inteligência ou burrice a alguma capacidade bastante especial. A capacidade de associar fatos, números e coisas que podem ser quantificadas. Essa é uma asserção errada: a capacidade ou incapacidade para a realização dessas coisas bem específicas da vida são somente desdobramentos da personalidade de uma pessoa.

Inteligência tem a ver com o que se denomina consciência de si ou, para os mais incautos, autoconhecimento mesmo. A capacidade de se perceber como pessoa e ter consciência disso – seu lugar, suas particularidades, etc. Todo que envolve ser efetivamente alguém e (aqui está o elemento fulcral) saber mesmo disso.

É por isso que é possível enxergar a burrice mesmo naquelas pessoas que dominam determinadas áreas, mas tem um conhecimento e uma consciência tal porca de si que beira a alienação. Seja por meio de distrações fúteis, seja por qualquer outra coisa.

É que ter consciência de si requer coragem. Por isso o burro é sempre aquele que gosta de se enganar.

Reflexões sobre o estranho

Gothic criticism, of which there is a vast boiling vat these days, has been rendering down the ectoplasmic energy of “spectrality” into sound bites for 25 years, while critics seem to arrive pre-loaded with cookie-cutter cribs from Freud’s “The Uncanny,” in which they laboriously explain yet again that the term unheimlich means rather more literally the unhomely in German, but that the “homely” is housed inside the “unhomely,” the outside in the inside, the strange in the familiar. Right at the start of his book, Fisher acknowledges that Freud’s unusually chaotic essay is full of brilliant possibilities but ends with an interpretation “as disappointing as any mediocre genre detective’s rote solution to a mystery.” This wonderfully provocative dismissal sets Fisher up to articulate an alternative set of terms outside ossified Gothic criticism and dictates the wholly new conceptual structure of his book.

The uncanny, Fisher says, puts the “strange within the familiar” and “operates by always processing the outside through the gaps and impasses of the inside.” In other words, for all its interest in boundary breaches, it is still centered on the self. The weird and the eerie work at this from the other direction, Fisher suggests: “they allow us to see the inside from the perspective of the outside.” The weird is a disturbing obtrusion of something from the outside in. It is the insidious intrusion, the confounding juxtaposition, the thing found in the wrong place. As Lovecraft put it in his essay “Supernatural Horror in Literature,” the weird is “a certain atmosphere of breathless and unexplainable dread of outer, unknown forces.” Lovecraft’s fictions, at their evocative best, are about a steady dethronement of anthropocentric models. This explains the embrace of Lovecraft’s weird realism by philosophers challenging phenomenological paradigms, or leaning toward the radical end of “Thing Theory,” where things escape routine imprisonment inside the implicit hierarchy of the subject/object binary.

The eerie, however, is Fisher’s original extension of this idea. He takes the eerie from lazy, everyday usage and gives it conceptual rigor: places are eerie; empty landscapes are eerie; abandoned structures and ruins are eerie. Something moves in these apparently empty or vacated sites that exists independently of the human subject, an agency that is cloaked or obscure. He wonders: What kind of thing makes an eerie cry? Because it rises up from the outside, and remains there, it resists simple hermeneutic interpretation.

Sobre Mark Fisher e sua última obra — sem nenhum complexo de adulação — numa análise do LA Review of Books.

Vozes

Depois de ter ido a uma festa e pulado o Carnaval esse ano, lembro que voltei para casa pensando em certas coisas — pensando mais do que deveria aliás. Lembro que coloquei “Voices” do John Talabot para tocar nos fones de ouvido enquanto me curava da ressaca oriunda da noite anterior. Foi mágico: desde então ela se tornou uma das minhas faixas favoritas. Que venha mais um álbum por aí.

P.S.: The Night Land, do Talaboman, não passou desapercebido. Talvez eu escreva, futuramente, sobre “Samsa“, uma das melhores músicas do ano até agora.

 

Mix da semana

Talvez essa seja somente uma forma de eu me obrigar a escrever mais — demonstrar algum afinco — e prestar mais atenção no mundo. De qualquer forma, aqui está uma proposta: selecionar alguns mixes ou músicas e discos e dar a devida atenção neste espaço que eu (ainda) insisto chamar de blog. É uma fuga ao TCC e ao Exame da Ordem. Coitado de mim.

Enfim, Adrien Sherwood sempre levou o dub aos seus limites (se é que é possível falar em limites em música — música é música independentemente do que você acabe achando dela). Ele fez um mix honrando sua história.

Eis aqui, também, uma menção honrosa: diálogos e field music em proporção.

 

Algo importante: eis algo que escrevi num outro blog há algum tempo e que acredito, agora, que serve mais aqui do que em qualquer outro lugar. Enfim, eis o que tive a dizer nessa oportunidade.


No começo da semana, tive a oportunidade de viajar para ter uma reunião com alguns clientes de bem longe (Goiás, por assim dizer) de um caso que só agora pode vir a possuir algum deslinde favorável – um inventário bastante litigioso e em trâmite há mais de três décadas.

Sentei, num dado restaurante, ao lado de uma cliente, uma senhora que aparenta beirar os cinquenta anos de idade. Conhecia a mulher há pouco mais de meia hora e ela já contava as peripécias dela.

Em determinado momento, a conversa rumou a tópicos acerca da inteligência ou esperteza e como pessoas têm ou não têm esses determinados traços de personalidade. “Sabe, Danilo, eu sou esperta, mas não sou inteligente como você. A maioria das pessoas não têm nenhuma dessas características”.

“Mais difícil ainda é encontrar gente esperta e inteligente”. Talvez ela quisesse falar da esperteza e inteligência em igual medida.

A gente, naquele momento, não parou para dissecar o significado da palavra “esperteza”. Demoraria muito e nós nos perderíamos em conceitos. Simplesmente não era a hora.

Mas a conversa vai ficar guardada. E como vai.


Post scriptum: Eu adorei essa mulher. Quero ser como ela quando crescer.