Voltando

O WordPress diz que eu não escrevo por esses cantos desde 2015. Optei pelo Tumblr e por algumas crises de consciência que foram dirimidas lá no Facebook. Entretanto, Deus sabe que o Tumblr e nem o Facebook servem lá muito bem para essas coisas — a escrita mais intimista e nua da alma. A gente precisa se acostumar com isso. Mesmo que por “isso” você acabe interpretando tudo e absolutamente nada ao mesmo tempo.

Sim, é complexo.

Volto para cá porque me peguei pensando, desde o começo do ano, sobre qual a razão suprema da nossa necessidade de escrita e, ainda mais, se realmente existe alguma razão pra escrever (além do preenchimento eventual de um ego qualquer).

Sempre existiu uma urgência, para mim, em organizar as coisas e expô-las. Tentar entender arte (música, filmes e livros) e como eles conversam comigo e com o meus arredores sempre foi um objeto de fascínio. Mas essa é uma tarefa introspectiva e que requer um tanto de coragem.

Comecei a escrever sobre música há pelo menos sete anos e essa empreitada teve, ao longo do caminho, altos e baixos. Recentemente, tenho começado a duvidar do meu talento e da minha capacidade — eu sei que o Pretty Much Amazing e, principalmente, o The Singles Jukebox sempre estarão lá para quando eu quiser colocar a minha alma em algum disco ou alguma canção em específico, mas enfrentar a tela em branco, todo dia, tem sido um agravante num processo emocional bastante complicado.

Isso acontece porque escrever sobre qualquer coisa requer autoconhecimento. Isso pode soar, acertadamente, como um clichê extremamente batido. Porém, clichês sempre carregam em si uma carga de verdade difícil de ser ignorada. Falo da coragem de saber exatamente do quanto esconder e revelar durante os poucos minutos que alguém passa, na frente do computador, digitando um texto complicado e intimista. É sobre ter o que revelar enfim — experiência e intimismo, conforme dito.

Isso chega a revelar, ainda, praticamente uma síndrome de impostor. Mais uma derrota na frente do computador com o cursor piscando e o medo de ter de onde começar. Escrever se torna, então, uma tarefa muito parecida com a de mover montanhas com a própria mente.

Some-se a isto os deveres e as atribuições da vida que requerem o zelo mental de um ourives. E aí algo engraçado acontece: diante dessas infinitas turbulências, a necessidade da escrita aparece como um salvo-conduto: escreve-se não porque alguém realmente quer; escreve-se porque é (absolutamente) necessário. Até porque a ordenação mental é a coisa mais importante nessa vida.

Volto aqui, portanto, nesses termos. A ordenação mental — saber o que fazer, no que e em quem confiar, o que realizar, pelo que lutar – falam sempre mais alto. Não foram sempre essas razões pelas quais eu costumava escrever, mas são agora as que mais me motivam a sentar na frente de um monitor e continuamente dedilhar contando histórias ou só formando frases.

Agora reparo que as frases vêm, hoje, num fluxo muito mais intenso do que antigamente — textos críticos por aqui traziam uma dor similar a um parto. Ideias não compareciam. O terreno era inóspito. É um sinal, os menos incautos diriam. Que assim seja.

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