Temer e Gilmar

Percebi, há algum tempo, que esse blog pode servir a vários propósitos: pode ser uma moradia de meus textos mais intimistas e, da mesma forma, pode servir à divulgação de textos mais analíticos e impessoais. Pode ser o depositório de análises breves, bem como de bobagens — tanto é que existe uma categoria justamente para esse tipo de coisa aqui.

Dito isso, meu chefe de estágio pediu, uma vez que estava revoltado com tudo e com todos, e principalmente Michel Temer e Gilmar Mendes diante dos acontecimentos mais recentes noticiados Brasil afora, que eu fizesse uma análise do que seria cabível contra os dois. Foi um esboço de um parecer. Furado, bem furado, mas eu me diverti — e ri bastante — enquanto escrevia numa noite dessas recentemente.

O link está abaixo. Ria comigo.

Parecer – Michel Temer e Gilmar Mendes

Algo para os seletos

Eu vivo vasculhando o Atlas Obscura desejando, de longe, as viagens que eu pretendo fazer um dia. O site, ainda bem, tem uma coleção de textos variando dos mais bizarros aos mais comuns — dependendo do que você considera como comum. Esse texto aqui sobre telepatia, cachorros e União Soviética, bem como paranoia cientificista e comunistas é uma das coisas mais doidas que vejo em algum tempo.

Beleza

January Sun, o EP de estreia de Kedr Livanskiy, foi uma das coisas mais bonitas e agradáveis de 2016. Um misto de estranheza e beleza clássica (tal como quase tudo que sai da demoníaca Rússia hoje em dia), aquelas canções aqueceram um inverno (eterno) que perdurou no ano passado.

O inverno esse ano vai ser mais rigoroso, disso estou certo. É com essa vontade de acolhimento que eu vou escutar o primeiro disco de Livanskiy. “Ariadna” é a primeira faixa do disco que se tem notícia.

Obrigado, 2017.

Eu queria estar lá

O New Yorker fez um retrato apaixonante do que foi Carly Rae Jepsen acompanhada de uma orquestra, nesse final de semana, em Toronto.

Em suma: eu queria estar lá.

The orchestra began, suddenly, in a way that resembled star formation—dense clouds of melody floating in suspension and then, under piccolo flurries and timpani rolls, fusing into one. A sax line emerged, neon with yearning, and Jepsen came out to sing “Run Away with Me,” unprotected by reverb and curling her voice tight around the notes. She glittered in her peculiar, brilliant, half vacant way. Jepsen is, for a pop star, a remarkably unassuming presence—she always seems like a conduit for something, rather than the thing itself—and though she managed the evening’s performance appropriately, like a diva, with a gown change and Streisand gestures, it seemed to me as if she could’ve been singing in front of her bedroom mirror, or in a dream. It just so happened that she was in front of a full symphony orchestra, facing a crowd of people who would eventually jump to their feet and sing along and dance like they, too, were alone in their rooms. The orchestra was heartbreaking, restrained by the simplicity of the songwriting and yet inherently hyperbolic. The violins took up the moments where, normally, on her albums, you’d hear Jepsen ad-libbing with interjections. Instead of a “Hey!” their bows would strike, like an epiphany, a burst of sweetness outside the realm of words.

Colagem

Depois de tanto tempo, é possível conceber a ideia de que já existe algo de muito comum que rondeia a música do Beach House. Você já sabe o que esperar. O que vai acontecer. O que eles farão da próxima vez.

Antigamente, eu via isso como um sinal de preocupação — com a ideia (estúpida, agora percebo) da existência de algum tipo de diminishing returns. Entretanto, tudo isso que o duo faz é sinal de maturidade. Algo que eu também percebi com o tempo.

“Chariot” não é nada de novo e, justamente por isso, oferece o melhor que esse Beach House já está acostumado a fazer: de tão particular que é, o duo faz da música um lar, uma morada. Algo com que se pode confiar e confidenciar. O clipe é um reflexo disso: uma colagem de momentos familiares que pretendem refletir algo muito maior e mais intimista.

Isso é raro de se ver.

A perfeição é somente divina

Alguns meses atrás, escrevi como, em “Green Light”, Lorde parecia ter encerrado um ciclo da narradora que conta todo tipo de história sobre a vida adolescente. De como ela havia partido de uma temática universal — a agonia da existência, do subúrbio com seu silêncio ensurdecedor e tudo mais que faz a vida pacata nem tão pacata assim — e ido parar num redemoinho de sentimentos. Todos os sentimentos do mundo estavam presentes, ali, naquela canção.

Percebo, com “Perfect Places”, que posso ter errado, mesmo que somente um pouco, a mão. “I’m 19 and I’m on fire”, ela diz, tomando para si todas as dores do mundo e ainda apostando na catarse. É quase como se ela tivesse encontrado um meio termo nisso tudo: ela transforma as dores da vida de todos, ainda que de maneira universal, e as canaliza na música. “Let’s go to perfect places”.

O escapismo pode parecer fugaz, mas é importante também saber que “Perfect Places” supostamente (pela listagem original que ela divulgou) encerra Melodrama, o novo disco. Em entrevistas, ela tem admitido que o novo álbum é, na verdade, uma trilha sonora para uma festa e uma noite desregrada. O simbolismo é perfeito, eu preciso dizer: Lorde termina Melodrama tentando encontrar lugares perfeitos, um escapismo tão clichê quanto previsível. É profundamente humano entretanto.

É como ela diz no final disso tudo: “What the fuck are perfect places anyway?” Ela não parece estar, minimamente, interessada em responder.

Uma vista

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Essa é a vista do meu local de estágio. Uma das vistas mais pacíficas de que eu tenho notícia. O nosso lado do prédio dá de cara com essas árvores. Praticamente todo dia, eu tiro alguma foto daí. Seja no começo da tarde, ou no pôr-do-sol, parece que a vista rende frutos. Todo dia as cores são diferentes. Ainda bem.