A perfeição é somente divina

Alguns meses atrás, escrevi como, em “Green Light”, Lorde parecia ter encerrado um ciclo da narradora que conta todo tipo de história sobre a vida adolescente. De como ela havia partido de uma temática universal — a agonia da existência, do subúrbio com seu silêncio ensurdecedor e tudo mais que faz a vida pacata nem tão pacata assim — e ido parar num redemoinho de sentimentos. Todos os sentimentos do mundo estavam presentes, ali, naquela canção.

Percebo, com “Perfect Places”, que posso ter errado, mesmo que somente um pouco, a mão. “I’m 19 and I’m on fire”, ela diz, tomando para si todas as dores do mundo e ainda apostando na catarse. É quase como se ela tivesse encontrado um meio termo nisso tudo: ela transforma as dores da vida de todos, ainda que de maneira universal, e as canaliza na música. “Let’s go to perfect places”.

O escapismo pode parecer fugaz, mas é importante também saber que “Perfect Places” supostamente (pela listagem original que ela divulgou) encerra Melodrama, o novo disco. Em entrevistas, ela tem admitido que o novo álbum é, na verdade, uma trilha sonora para uma festa e uma noite desregrada. O simbolismo é perfeito, eu preciso dizer: Lorde termina Melodrama tentando encontrar lugares perfeitos, um escapismo tão clichê quanto previsível. É profundamente humano entretanto.

É como ela diz no final disso tudo: “What the fuck are perfect places anyway?” Ela não parece estar, minimamente, interessada em responder.

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