Capitalizando

O clipe de “Freedom” da Beyoncé é prova de que ninguém sabe capitalizar sobre ativismo barato  mais que ela. A música segue boa. A ideia nem tanto.

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M.E.S.H. | “Search. Reveal.”

Eu não vou escrever muito a respeito disso — em parte porque não há tempo no mundo para todas as minhas idiossincrasias, em parte porque a canção abaixo não cabe nesse contexto de explanação — mas é o caso de dizer que eu tenho me voltado, cada vez mais, para a música eletrônica porque ela tem o que nenhum outro gênero possui: capacidade de abstração. E Deus sabe que eu tento fugir dos meus sentimentos confabulando a toda hora.

“Search. Reveal” me ajuda nesse processo de confabulação. Não faz sentido algum. Por isso, é tão necessária.

O disco novo do M.E.S.H. sai em novembro. Ainda bem.

O parça Gilmar

Gilmar Mendes teve isso a dizer sobre toda a situação posta entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal envolvendo Aécio Neves:

“Cada Poder terá seus critérios, não me cabe fazer esse tipo de encaminhamento. O importante é que nós saibamos que estamos vivendo um momento bastante delicado e a gente não deve acender fósforo para saber ou querer saber se há gasolina no tanque.”

O fato de Aécio Neves, no fundo, ser o responsável por essa “fratura institucional” (nas palavras do Ministro Ayres Brito) é um demonstrativo de como estamos na merda.

Kurt Vile & Courtney Barnett | “Continental Breakfast”

A simplicidade disso tudo — da canção, da leveza dos assuntos, da postura deles — diz que eu vou amar o disco. Caso contrário, há algo de muito errado comigo.

Uma volta ao necessário. Ao essencial.

Lotta Sea Lice sai dia 13 desse mês.

Arrependimento

Há grande arte a ser retirada do perdão. Antes de qualquer coisa, de perdoar a si mesmo por qualquer coisa que tenha te impedido de enxergar, algum dia, a verdade. Esse é um ultimato. Se bem aproveitada, essa conversão gera catarse.

Miley Cyrus sabe disso. Tanto é que Bangerz, lançado em 2013, foi de um sucesso tão estrondoso que, pelo menos naquela época, parecia que o mundo girava em torno da moça. Younger Now, a canção e o disco novos, dão conta de uma transformação óbvia: Cyrus olha para trás não com um olhar nostálgico, mas olha para frente com um tanto de arrependimento. De tão arrependida, tentando correr tanto atrás do prejuízo, o resultado é uma ode a uma suposta paz de espírito recém-conquistada.

Não sei se vou escrever sobre o disco em si depois (o tempo e paciência são escassos ultimamente), mas só gostaria, por enquanto, de deixar isso registrado: é louvável uma tentativa de reconstrução de uma persona, de redimir quaisquer pecados. O teatro todo até que me convence. Eu entendo tudo isso. Só faltou força e determinação.

Mais importante talvez: faltou paixão pela vida da qual ela diz sentir tanta falta.

Decaimento

Quando eu era estagiário da Advocacia-Geral da União durante o terceiro ano da faculdade, convivi com as pessoas mais excêntricas dentro daquela Procuradoria. Uma delas era meu chefe. Ele se orgulhava em conter, dentro do servidor daquela Seccional (bem como em backups pessoais muito bem organizados) toda e qualquer petição, ação ou documento utilizado por ele desde que entrou nos quadros da instituição. O homem era (ainda é, acredito) um crânio.

Numa dessas conversas, eu perguntei sobre a necessidade disso. Confesso que não acreditei e não dei muito crédito à explicação dele. Lembro de ter pensado na maluquice de tudo aquilo.

Algo que ele disse, porém, chamou a minha atenção. Ele disse, enfaticamente, que a maior dificuldade, com o passar do tempo, na hora de lidar com aqueles milhares de arquivos, é a compatibilidade. Explico. É que, por mais que os arquivos originais possam muito bem continuar sendo os mesmos, guardados naqueles HDs obsoletos, o software não. Ele sempre muda. Sendo assim, para abrir e editar um arquivo, um documento de 1995 por exemplo, as coisas se complicam ainda mais.

Lembro dessa fala dele — um tanto quanto apocalíptica quando li que todo o acervo de sons da Biblioteca Britânica estava ameaçado justamente por uma questão, quem diria, de compatibilidade.

A tecnologia é uma benção. Exceto quando ela ferra com tudo.