Isso é real

Um formato de e-mail consegue se tornar literatura nas mãos dos melhores.

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Confusão institucionalizada no Direito

Mais um ano, mais uma primeira coluna do Lenio Streck pra perder a fé no Direito brasileiro. Como um professor meu me fez aprender, o Direito no Brasil, coitado, ele não tem solução. Eis a coluna sobre uma decisão política do STJ.

Instrumentos fúteis

Ainda no ânimo de uma retrospectiva.

Uma das coisas mais difíceis para mim, ao longo deste ano, além de enfrentar a faculdade em si e a prova da OAB, foi escrever o meu TCC. Não no sentido de que ele foi uma prova – na verdade, adorei todo o processo no final das contas. Afinal, adoro escrever e pesquisar.

É que o meu tema não foi dos mais fáceis. Um cara do Direito que é também entusiasta de tudo aquilo que deveria ajudar a área jurídica mas que acaba por predá-la (a Filosofia por exemplo), passei algumas noites a fio escrevendo algo meio que sem rumo. No final de tudo, nas palavras do meu orientador, eis que surgiu um “ensaio filosófico-jurídico” sobre legitimidade, ativismo judicial e não sei mais bem o quê.

Agora que essas três entidades já passaram – faculdade, Exame da Ordem e TCC – eu me sinto confortável em colocar esse meu pequeno ensaio para fora. Existe tanta coisa a mais para ser descoberta nesse tema que, mesmo escrevendo este post, eu já me animo.

Como cantou Sufjan Stevens uma vez, palavras são instrumentos fúteis para descrever o mundo.

Mas a gente pode tentar.

O Trabalho está abaixo.

TCC – A formação de uma teoria da decisão judicial – Versão para o CD.

Siga o link.

Rádio Ghibli

Antes de mais nada, e deixando que este blog se torne, pelo menos por enquanto, um depósito de links temporário, Sega Bodega passou pela NTS para entregar três shows completos de trilhas sonoras de filmes do Studio Ghibli.

É só isso mesmo.

E está tudo aqui.

Siga o link.

Vocês já sabem como eu vou passar os primeiros dias do recesso do Judiciário.

Gongórico

O que deve desaparecer e ser aberta e francamente desestimulado é a linguagem gongórica, “empolada”, hermética que muitos da área jurídica têm prazer de usar. Empregam-se sinônimos, que já caíram em desuso e que são, portanto, incompreensíveis, de palavras que todos conhecem, como sobejar (em vez de sobrar); objurgar (em vez de impugnar); perfunctório (em vez de superficial).

E a sinonímia atinge patamares delirantes, sob o pretexto de se estar criando um texto elegante: petições iniciais se transformam em exordiais, peças vestibulares, ou alfas; recurso se transmuda em irresignação… isso, para não falar nas clássicas Carta Magna ou writ.

Esta busca desenfreada por sinônimos extravagantes e de gosto duvidoso vem da época em que Dreito não era ciência e, então, se usava a regra da literatura: não se podem repetir palavras… Esta espécie de linguagem esconde também o desejo de se demonstrar erudição e poder, já que são poucos os que dominam tal vocabulário erudito.

Teresa Arruda Alvim no Consultor Jurídico.

eXperiência

The Old Man and the Sea could have been over a thousand pages long and had every character in the village in it and all the processes of how they made their living, were born, educated, bore children, et cetera. That is done excellently and well by other writers. In writing you are limited by what has already been done satisfactorily. So I have tried to learn to do something else. First I have tried to eliminate everything unnecessary to conveying experience to the reader so that after he or she has read something it will become a part of his or her experience and seem actually to have happened. This is very hard to do and I’ve worked at it very hard.

Ernest Hemingway, The Art of Fiction No. 21, The Paris Review

Por intermédio do Redux aliás.

Decaimento

Quando eu era estagiário da Advocacia-Geral da União durante o terceiro ano da faculdade, convivi com as pessoas mais excêntricas dentro daquela Procuradoria. Uma delas era meu chefe. Ele se orgulhava em conter, dentro do servidor daquela Seccional (bem como em backups pessoais muito bem organizados) toda e qualquer petição, ação ou documento utilizado por ele desde que entrou nos quadros da instituição. O homem era (ainda é, acredito) um crânio.

Numa dessas conversas, eu perguntei sobre a necessidade disso. Confesso que não acreditei e não dei muito crédito à explicação dele. Lembro de ter pensado na maluquice de tudo aquilo.

Algo que ele disse, porém, chamou a minha atenção. Ele disse, enfaticamente, que a maior dificuldade, com o passar do tempo, na hora de lidar com aqueles milhares de arquivos, é a compatibilidade. Explico. É que, por mais que os arquivos originais possam muito bem continuar sendo os mesmos, guardados naqueles HDs obsoletos, o software não. Ele sempre muda. Sendo assim, para abrir e editar um arquivo, um documento de 1995 por exemplo, as coisas se complicam ainda mais.

Lembro dessa fala dele — um tanto quanto apocalíptica quando li que todo o acervo de sons da Biblioteca Britânica estava ameaçado justamente por uma questão, quem diria, de compatibilidade.

A tecnologia é uma benção. Exceto quando ela ferra com tudo.