eXperiência

The Old Man and the Sea could have been over a thousand pages long and had every character in the village in it and all the processes of how they made their living, were born, educated, bore children, et cetera. That is done excellently and well by other writers. In writing you are limited by what has already been done satisfactorily. So I have tried to learn to do something else. First I have tried to eliminate everything unnecessary to conveying experience to the reader so that after he or she has read something it will become a part of his or her experience and seem actually to have happened. This is very hard to do and I’ve worked at it very hard.

Ernest Hemingway, The Art of Fiction No. 21, The Paris Review

Por intermédio do Redux aliás.

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Decaimento

Quando eu era estagiário da Advocacia-Geral da União durante o terceiro ano da faculdade, convivi com as pessoas mais excêntricas dentro daquela Procuradoria. Uma delas era meu chefe. Ele se orgulhava em conter, dentro do servidor daquela Seccional (bem como em backups pessoais muito bem organizados) toda e qualquer petição, ação ou documento utilizado por ele desde que entrou nos quadros da instituição. O homem era (ainda é, acredito) um crânio.

Numa dessas conversas, eu perguntei sobre a necessidade disso. Confesso que não acreditei e não dei muito crédito à explicação dele. Lembro de ter pensado na maluquice de tudo aquilo.

Algo que ele disse, porém, chamou a minha atenção. Ele disse, enfaticamente, que a maior dificuldade, com o passar do tempo, na hora de lidar com aqueles milhares de arquivos, é a compatibilidade. Explico. É que, por mais que os arquivos originais possam muito bem continuar sendo os mesmos, guardados naqueles HDs obsoletos, o software não. Ele sempre muda. Sendo assim, para abrir e editar um arquivo, um documento de 1995 por exemplo, as coisas se complicam ainda mais.

Lembro dessa fala dele — um tanto quanto apocalíptica quando li que todo o acervo de sons da Biblioteca Britânica estava ameaçado justamente por uma questão, quem diria, de compatibilidade.

A tecnologia é uma benção. Exceto quando ela ferra com tudo.

 

Trauma

A resenha de domingo da Pitchfork de hoje foi sobre a obra-prima do Tears for Fears, Songs From the Big Chair. Uma raridade nesse site:

Then, Tears for Fears turned up in an unlikely place: Donnie Darko, a film that subverts ’80s teen movies. “Head Over Heels” is memorably included during a slow-motion montage, but Tears for Fears were mostly rediscovered by younger audiences thanks to Michael Andrews and Gary Jules’ cover of “Mad World.” By peeling away all the circuitry and flash of the original, replacing the gizmos with mostly non-electronic instruments, and slowing the tempo, Andrews and Jules exposed “Mad World” as the post-9/11 emo ballad it was perhaps destined to be. As the 2000s progressed, you’d hear Tears for Fears incrementally more often. In 2008 Kanye West sampled the chorus of The Hurting’s “Memories Fade” on “Coldest Winter,” from 808s & Heartbreak, coincidentally about an artist trying to deal with the death of his mother.

Today you’ll hear “Everybody Wants to Rule the World” all over the place—it’s a staple of classic-rock radio, pharmacies, bars, and parties. But at its core the song is still dealing with Janov; with how, ultimately, what human beings want is control, and the inability to control your own life is misdirected into a desire to overpower other people. It’s a constant with Songs From the Big Chair: interior drama is construed as being about collective suffering. Personal chaos is universal. Welcome to your life. There’s no turning back.

Ainda há salvação. #pray4p4k

[Julius Krein]

Mr. Trump once boasted that he could shoot someone in the street and not lose voters. Well, someone was just killed in the street by a white supremacist in Charlottesville. His refusal this weekend to specifically and immediately denounce the groups responsible for this intolerable violence was both morally disgusting and monumentally stupid. In this, Mr. Trump failed perhaps the easiest imaginable test of presidential leadership. Rather than advance a vision of national unity that he claims to represent, his indefensible equivocation can only inflame the most vicious forces of division within our country.

Palavras de quem, um dia, apoiou esse homem.

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Post scriptum: Continuando a falar desse homem, gostei bastante do American Affairs, publicação que ele começou mais cedo este ano. Eis algo sobre o conservadorismo e sua corrupção – claro, pela economia.

 

Algo para os seletos

Eu vivo vasculhando o Atlas Obscura desejando, de longe, as viagens que eu pretendo fazer um dia. O site, ainda bem, tem uma coleção de textos variando dos mais bizarros aos mais comuns — dependendo do que você considera como comum. Esse texto aqui sobre telepatia, cachorros e União Soviética, bem como paranoia cientificista e comunistas é uma das coisas mais doidas que vejo em algum tempo.