O pop não precisa de salvação

Num começo de ano em que Justin Timberlake e Taylor Swift¹ se esqueceram de como se cria uma obra audiovisual que se concatena com uma canção específica (nominalmente, um videoclipe), “My My My!” é uma dádiva.

¹ Talvez eu desenvolva a paciência necessária para falar do clipe de “End Game“. Quem sabe.

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K. Leimer | “Dunne Luft”

K. Leimer tem disco novo, Mitteltöner, a ser lançado ainda este mês. Para alguém que construi uma carreira inteira desbravando as fronteiras da música ambiente (essa compilação aqui é prova do que falo), parece uma aposta segura. Mesmo assim, isso é pedir demais no primeiro dia do ano.

É o suficiente. Suficientemente belo.

O primeiro post de 2018 é sobre música

O pessoal do The Singles Jukebox pode ter condensado algumas das opiniões mais incríveis sobre esta canção — se for ler alguma, leia a de Jonathan Bradley –, a minúscula obra-prima que fecha Reputation. Entretanto, eu gostaria de adicionar – além do que fiz na minha blurb – que Taylor Swift gosta de criar mitos. Ninguém, pelo menos na música realmente popular americana atual, tem essa capacidade de solidificar momentos e histórias. Parece que ela passou a carreira inteira aperfeiçoando um método de composição e criação somente para escrever “New Year’s Day”.

E eis, então, para um ano novo tão melancólico quanto esperançoso.

Feliz 2018.

Vida olímpica

Sufjan Stevens tem sido matéria recorrente por aqui. Esta é “Tonya Harding”, uma homenagem à atleta homônima envolta num escândalo digno de filme.

Como vi alguém dizendo, quem dera ter alguém tão cheio de amor para escrever algo assim.

Sinceramente, lendo tudo sobre o incidente que implicou Harding e manchou sua carreira para toda a vida, não sei em quem acreditar. Isso, entretanto, não reduz o brilho da canção. Muito provavelmente, só o amplifica.

Talvez esse seja o objetivo de Stevens durante todo esse tempo.

Longo, demasiadamente longo

Eu não penso em fazer um post de menções honrosas – até porque ainda falta algo dedicado aos meus discos favoritos de 2017 por aqui. Uma hora esse post sai, confie.

Angel Olsen operou na surdina esse ano após um 2016 em que entregou My Woman, um disco tão cru porém amável. Phases, deste ano, é uma coletânea de raridades que demonstra uma lado menos calculista e mais bárbaro dela – o que justifica, pelo menos em parte, o fato de termos “Special”, uma canção de mais de sete minutos e que parece ser o produto de uma vida inteira.

Que 2017 tivesse discos e canções mais como isto.

Rádio Ghibli

Antes de mais nada, e deixando que este blog se torne, pelo menos por enquanto, um depósito de links temporário, Sega Bodega passou pela NTS para entregar três shows completos de trilhas sonoras de filmes do Studio Ghibli.

É só isso mesmo.

E está tudo aqui.

Siga o link.

Vocês já sabem como eu vou passar os primeiros dias do recesso do Judiciário.

O resumo do pop e do zeitgeist em 2017

Um título provocativo para um post que não serve a muitos propósitos.

Um post atrás, eu disse que não valeria muito a pena escrever sobre Pop 2, a mixtape de Charli XCX, justamente porque aquilo parece um experimento sobre o pop alternativo em 2017 do que, propriamente música – com uma notável exceção.

Esse remix, providenciado por A..G. Cook, de “Outta My Head”, e cheio de convidados ilustres, é a prova do que falei. Entretanto, existe uma catarse irretocável.

Por mais que eu não goste de admitir isso, isso aqui é puro zeitgeist.

Para o bem ou para o mal.

Chamando o futuro

Tenho escutado muito a parceria entre Charli XCX e Carly Rae Jepsen, “Backseat”, a primeira faixa da mixtape nova de Charli, Pop 2. Talvez possa não valer a pena escrever sobre o álbum – sim, trata-se de um álbum no sentido mais completo da palavra – até porque ele não passa, às vezes, de um grande chamariz de nomes dentro do ecossistema do pop hoje em dia.

Porém, eu nunca poderia negar que eu esperei muito por essa parceria. Há dois anos, Charli XCX era uma espécie de promessa do pop perfeito, um espaço agora ocupado por Jepsen justamente. Hoje em dia, Charli é uma espécie de garota propaganda da PC Music – a produção não me deixa mentir.

De qualquer forma, é bom ver as duas encontrando-se no meio do caminho. Finalmente. Valeu a pena.