Sample

A primeira vez que escutei a parceria entre Ariana Grande e Troye Sivan, notei um sample sublime porém destacado de Tears For Fears, muito embora não tenha visto muita gente comentando sobre a influência direta que vem do grupo. Achei também a canção menor do que esperava do duo. Ao invés de uma explosão, existe em “Dance To This” algo menos dramático. Agora, aprecio a quietude e, ironicamente, o vídeo parece remeter àquela minha primeira expectativa: o clipe retrata tudo o que eu queria que a canção fosse, um encontro bastante empático de duas pessoas que ditam, hoje em dia, do que eu mais gosto no pop.

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Refazendo

O Bicep decidiu lançar um EP, este ano, com umas das melhores faixas do autointitulado de 2017. O vídeo para “Rain” é tão gracioso quanto tudo o que eles já fizeram em matéria de clipe.

Falsidade

Eu fico envergonhado em admitir que só tenho reconhecido isso recentemente, mas é que, para mim, nesses últimos tempos, um tipo de música pop tem se destacado como particularmente falsa. É a música do falsamente grandioso, do espirituoso, do descarado, do algo que quer ser transcendental que fica lá na espreita e, praticamente, na borda da loucura e, quem sabe, do autismo.

Sem mais delongas:

Tenho um rascunho melhor guardado sobre o disco da Beyoncé com JAY Z, mas com a vinda da resenha bajuladora da Pitchfork, tenho algo a dizer de maneira mais imediata: já esperava por algo assim do site, a congratulação direta por um orgulho e pelo sentimento de pertencimento de uma elite que não é bem elite e, pensando bem, nunca será uma verdadeira elite (Beyoncé e JAY Z teimam em insistir nisso, mas só chegam no topo por intermédio de uma ostentação ofensiva, nunca espiritual).

As faixas de Love Is Everything servem como suporte a uma tendência, a tendência à reação, à simples reação de fazer música com algum ímpeto. A reação de uma resposta de um comentário político, a reação a qualquer evento recente, a reação a um mundo materialista e espirituoso. A necessidade de uma autojustificação e uma ostentação. Um luxo de disco que, pelo que vejo, não tem muita razão de existir senão para o agora. E isso não chega a ser transcendental.

Subversão

O pop não é naturalmente subversivo. É, em verdade, gracioso. Entretanto, ele tem a capacidade de se adaptar em relação a qualquer ambiente – até o verdadeiro horror do materialismo. Nesse contexto, a Miami da Kali Uchis ganha o caráter latino que sempre foi renegado.

Pense nesse clipe como uma versão boa de The Florida Project.