Capitalizando

O clipe de “Freedom” da Beyoncé é prova de que ninguém sabe capitalizar sobre ativismo barato  mais que ela. A música segue boa. A ideia nem tanto.

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M.E.S.H. | “Search. Reveal.”

Eu não vou escrever muito a respeito disso — em parte porque não há tempo no mundo para todas as minhas idiossincrasias, em parte porque a canção abaixo não cabe nesse contexto de explanação — mas é o caso de dizer que eu tenho me voltado, cada vez mais, para a música eletrônica porque ela tem o que nenhum outro gênero possui: capacidade de abstração. E Deus sabe que eu tento fugir dos meus sentimentos confabulando a toda hora.

“Search. Reveal” me ajuda nesse processo de confabulação. Não faz sentido algum. Por isso, é tão necessária.

O disco novo do M.E.S.H. sai em novembro. Ainda bem.

Kurt Vile & Courtney Barnett | “Continental Breakfast”

A simplicidade disso tudo — da canção, da leveza dos assuntos, da postura deles — diz que eu vou amar o disco. Caso contrário, há algo de muito errado comigo.

Uma volta ao necessário. Ao essencial.

Lotta Sea Lice sai dia 13 desse mês.

Arrependimento

Há grande arte a ser retirada do perdão. Antes de qualquer coisa, de perdoar a si mesmo por qualquer coisa que tenha te impedido de enxergar, algum dia, a verdade. Esse é um ultimato. Se bem aproveitada, essa conversão gera catarse.

Miley Cyrus sabe disso. Tanto é que Bangerz, lançado em 2013, foi de um sucesso tão estrondoso que, pelo menos naquela época, parecia que o mundo girava em torno da moça. Younger Now, a canção e o disco novos, dão conta de uma transformação óbvia: Cyrus olha para trás não com um olhar nostálgico, mas olha para frente com um tanto de arrependimento. De tão arrependida, tentando correr tanto atrás do prejuízo, o resultado é uma ode a uma suposta paz de espírito recém-conquistada.

Não sei se vou escrever sobre o disco em si depois (o tempo e paciência são escassos ultimamente), mas só gostaria, por enquanto, de deixar isso registrado: é louvável uma tentativa de reconstrução de uma persona, de redimir quaisquer pecados. O teatro todo até que me convence. Eu entendo tudo isso. Só faltou força e determinação.

Mais importante talvez: faltou paixão pela vida da qual ela diz sentir tanta falta.

Uma canção sobre tudo e todos

Sozinhos, ao longo dos anos, Courtney Barnett e Kurt Vile criaram canções extremamente mundanas e que se aplicam a narrativas sobre o mundo. É vago assim mesmo. Em “Over Everything”, existe esse sentimento potencializado.

Algo sobre nada e tudo ao mesmo tempo.

Seria um desperdício de tempo, uma piada em si mesma, se essa criação não fosse tão bonita.