O cinema em música

A definição de cinemático

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Uma das coisas mais incríveis da internet continua sendo a existência de um ímpeto. A busca por desbravar, link atrás de link, algo novo.

Usaram uma palavra interessante para descrever essa canção acima: cinemático. Concordo.

 

Iluminado

Quando Julien Baker lançou seu Sprained Ankle no ano passado, não prestei muita atenção no início. É que a música da moça, num primeiro contato, demonstra que vai levar tempo. Eis um nome estranho e enfadonho para se dar para música, mas “minimalista” parece descrever as canções daquele disco de início de carreira. A voz, geralmente escondida debaixo da produção, não parecia dizer muito. O que evitou fazer de Sprained Ankle música típica de elevador foi sua capacidade como narradora. Baker paga um tributo aos compositores que trabalham com sua arte como quem rasga páginas de um diário. É bonito, mas cansa a alma. E como cansa.

“Appointments” é a primeira canção que temos de Turn Out The Lights, o segundo disco de Baker. A mudança chega a ser radical. Longe está o abstracionismo daquele primeiro álbum. Baker traz algo mais concreto. A voz é mais gutural. A cadência é mais sentida.

O golpe final é dado com isso:

“Maybe it’s all gonna turn out alright

And I know that it’s not, but I have to believe that it is”

Jesus Amado.

Beleza

January Sun, o EP de estreia de Kedr Livanskiy, foi uma das coisas mais bonitas e agradáveis de 2016. Um misto de estranheza e beleza clássica (tal como quase tudo que sai da demoníaca Rússia hoje em dia), aquelas canções aqueceram um inverno (eterno) que perdurou no ano passado.

O inverno esse ano vai ser mais rigoroso, disso estou certo. É com essa vontade de acolhimento que eu vou escutar o primeiro disco de Livanskiy. “Ariadna” é a primeira faixa do disco que se tem notícia.

Obrigado, 2017.

A perfeição é somente divina

Alguns meses atrás, escrevi como, em “Green Light”, Lorde parecia ter encerrado um ciclo da narradora que conta todo tipo de história sobre a vida adolescente. De como ela havia partido de uma temática universal — a agonia da existência, do subúrbio com seu silêncio ensurdecedor e tudo mais que faz a vida pacata nem tão pacata assim — e ido parar num redemoinho de sentimentos. Todos os sentimentos do mundo estavam presentes, ali, naquela canção.

Percebo, com “Perfect Places”, que posso ter errado, mesmo que somente um pouco, a mão. “I’m 19 and I’m on fire”, ela diz, tomando para si todas as dores do mundo e ainda apostando na catarse. É quase como se ela tivesse encontrado um meio termo nisso tudo: ela transforma as dores da vida de todos, ainda que de maneira universal, e as canaliza na música. “Let’s go to perfect places”.

O escapismo pode parecer fugaz, mas é importante também saber que “Perfect Places” supostamente (pela listagem original que ela divulgou) encerra Melodrama, o novo disco. Em entrevistas, ela tem admitido que o novo álbum é, na verdade, uma trilha sonora para uma festa e uma noite desregrada. O simbolismo é perfeito, eu preciso dizer: Lorde termina Melodrama tentando encontrar lugares perfeitos, um escapismo tão clichê quanto previsível. É profundamente humano entretanto.

É como ela diz no final disso tudo: “What the fuck are perfect places anyway?” Ela não parece estar, minimamente, interessada em responder.

Força motriz

Faz algum tempo desde que decidi que iria escrever, algum dia, sobre “Right Now”, das HAIM. O tempo tem sido escasso e a procrastinação tem sido avassaladora. Muita coisa, pouco tempo, muito tempo gasto observando o mundo. Coisas bobas, alguém diria. Escrever, porém, é necessário. É imperativo.

Na primeira semana em que “Right Now” veio ao mundo, foi através de uma sessão ao vivo e acústica. Tímida e rústica — ao contrário do que a produção de Days Are Gone, disco polido de 2013 das irmãs, continha e prometia.  Logo depois a versão de estúdio e o anúncio de um álbum novo, Something to Tell You, que virá mais tarde nesse mês. Mais tarde ainda, veio “Want You Back”, que gerou comparações constrangedoras.

Entretanto, não quero escrever sobre essas coisas. Não exatamente sobre elas.

É que a música das HAIM nunca foi sinônimo de catalisador de catarse para mim. Sempre vi o que o conjunto de irmãs faziam como uma grande peça lustrosa: Days Are Gone, um disco pop excelente e de arestas muito bem aparadas,  continha canções acalentadoras do espírito, mais que não causavam nenhum constrangimento epistêmico, assim digamos. O pop não precisa disso às vezes. O muito bom, o técnico, basta. E isso basta.

É que essa versão ao vivo de “Right Now” nada contra a maré. Contém um refrão tão repetitivo e grudento quanto tudo o que as HAIM já fizeram há alguns anos. Mas é a crueza desse espetáculo que deve render ainda mais comparações — injustas — com o Fleetwood Mac por todas as razões erradas desse mundo.

Aqui, é tudo muito simples e direito. “And now you’re saying that you need me, baby”, Danielle canta.

Tudo acaba aqui. Sem grandes ornamentos. Sem grandes complicações. Na simplicidade mais bela que pode existir em música.

B-side

When we announced that we were releasing a B-sides and rarities album, someone on Twitter asked, “B-sides record? Why would Beach House put out a B-sides record? Their A-sides are like B-sides.” This random person has a point. Our goal has never been to make music that is explicitly commercial. Over the years, as we have worked on our 6 LPs, it wasn’t the ‘best’ or most catchy songs that made the records, just the ones that fit together to make a cohesive work. Accordingly, our B-sides are not songs that we didn’t like as much, just ones that didn’t have a place on the records we were making.

The idea for a B-sides record came when we realized just how many non-album songs had been made over the years, and how hard it was to find and hear many of them. This compilation contains every song we have ever made that does not exist on one of our records. There are 14 songs in total.

The oldest song is “Rain in Numbers” and was recorded in 2005, during the summer we formed the band. We didn’t have a piano, so we asked our friend if we could use his, which was pretty out of tune. We used the mic that was on the four-track machine to record the piano and vocals. It was originally the secret song on our self-titled debut.

Sequentially, the next couple of songs are from late 2008. We were so excited about “Used to Be,” that we recorded it right after writing it so that we could have it as a 7” single for our fall tour with the Baltimore Round Robin. We recorded our cover of Queen’s “Play the Game” in the same session. It was for a charity compilation benefiting AIDS research and we will continue to donate all profits from the song to that charity. As fans of Queen, we thought it would be fun and ridiculous to try to adapt their high-powered pop song into our realm. These songs were recorded at the same studio where we made Devotion.

There are a bunch of songs written and recorded in the 2009-2010 window. This period of time, as well as 2014, was our most prolific to date. “Baby” was written and recorded in October 2009 with our friend Jason Quever. “10 Mile Stereo” was recorded during the Teen Dream session in July 2009. Since we used tape, we often slowed the tape way down to create effects while recording. When we were doing that for “10 Mile Stereo” we decided we wanted to make an alternate version where the whole song was slowed down, hence the “10 Mile Stereo (Cough Syrup Remix).”

“White Moon” and “The Arrangement” were both songs that we didn’t believe fit on Teen Dream. “White Moon” originally appeared on our iTunes live session. Since that was recorded and mixed very hastily, we have remixed it to better match our current aesthetics. We have also remixed and included the version of “Norway” we did at that same session. The main reason we wanted to include “Norway” is that it features a very different bridge from the original version.

After the insane year of touring we had in 2010, we felt incredibly grateful to our fans for all that had happened. We wrote and recorded “I Do Not Care for the Winter Sun” during a break between tours and released it on the internet for free, unmastered. Well, it’s finally been mastered…

“Wherever You Go” is another song from that era. We always loved this song but thought it sounded too much like our old music. We paused writing it and didn’t finish it until 2011 during the Bloom recording session. It appeared originally as a secret song on Bloom.

“Equal Mind” was also recorded during the Bloom session. We really like this song, but pulled it from the record when we realized it had the exact same tempo as “Other People.” They are like twins.

The Bloom sessions led to “Saturn Song” as well. This song is built on a piano loop we wrote while recording Bloom. It also contains sounds recorded in deep space. It originally appeared on a compilation of songs incorporating space sounds that was released in 2014.

Finally, there are two previously unreleased songs from the Depression Cherry/Thank Your Lucky Stars sessions. They are called “Chariot” and “Baseball Diamond.”

Em outras palavras, a mágica do Beach House.

Take me to emotion, show me devotion

I wanna cut to the feeling

Qualquer dia desses escreverei algo mais detalhado sobre como Carly Rae Jepsen é a rainha de um tipo de pop muito específico — o pop perfeito, não necessariamente nostálgico, mas que se alimenta de uma forma de alegria extrema.

Por enquanto, ela não desaponta. De forma alguma.

P.S.: Ouvi isso aqui pela primeira vez às uma e meia da manhã e não desgrudei dos ouvidos até agora.

Feist, “Pleasure”

Feist retorna, depois de seis anos, como se nada tivesse acontecido. 

É necessária uma espécie de coragem para tratar as coisas da vida assim. 

Não há nada de realmente espetacular em “Pleasure” – assim como, e isso dói dizer, talvez não haja nada de realmente espetacular na obra inteira dela. Entretanto, está aqui e deve ser apreciado como tal. Assim como um velho amigo que não se vê há séculos e que a gente aprende a respeitar justamente por isso.