Cirúrgico

É impossível não atestar o mínimo de decadência ao escutar música tão cirúrgica, calculista e fria.

É o que celebram: cirurgia musical. Está aí um bom conceito.

Meu orientador da faculdade uma vez me disse que minha escrita era muito adjetivada.

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Farofa

Já apreciei o que o DJDS já fez – e faz há alguns anos. Mas nada nunca foi algo de destaque realmente. Essa, entretanto, é uma das grandes canções do ano.

Mesmo que o disco seja mais do mesmo clichê farofa, “Trees on Fire” é a exceção.

Reação do pop

Gosto de manter um blog, mesmo que, como no caso deste, eu tenha perdido absolutamente todo tipo de comprometimento, porque, no fim das contas, ele serve como um túnel do tempo. Há coisas aqui que gosto de rever até por razões de testemunho e aprendizado. Desde 2011. É um tempinho e tanto.

Como em todo diário, vou direto ao ponto: não prestei atenção suficiente durante o ano passado para gostar do segundo álbum da Halsey, mas durante os últimos dias tenho escutado bastante “Alone”. É uma surpresa. Eu me tornei acostumado a chamar todos os astros de fama fabricada da internet de pop de vitrine – pop de aparências, metalinguístico, preparado para afetar um tipo bem específico de pessoas e de experiências.

É que há algo a ser louvado mesmo na música que glorifica o mal e o absurdo. Reflete o odiável. E coloca um refrão legal por cima.

 

O primeiro post de 2018 é sobre música

O pessoal do The Singles Jukebox pode ter condensado algumas das opiniões mais incríveis sobre esta canção — se for ler alguma, leia a de Jonathan Bradley –, a minúscula obra-prima que fecha Reputation. Entretanto, eu gostaria de adicionar – além do que fiz na minha blurb – que Taylor Swift gosta de criar mitos. Ninguém, pelo menos na música realmente popular americana atual, tem essa capacidade de solidificar momentos e histórias. Parece que ela passou a carreira inteira aperfeiçoando um método de composição e criação somente para escrever “New Year’s Day”.

E eis, então, para um ano novo tão melancólico quanto esperançoso.

Feliz 2018.

Vida olímpica

Sufjan Stevens tem sido matéria recorrente por aqui. Esta é “Tonya Harding”, uma homenagem à atleta homônima envolta num escândalo digno de filme.

Como vi alguém dizendo, quem dera ter alguém tão cheio de amor para escrever algo assim.

Sinceramente, lendo tudo sobre o incidente que implicou Harding e manchou sua carreira para toda a vida, não sei em quem acreditar. Isso, entretanto, não reduz o brilho da canção. Muito provavelmente, só o amplifica.

Talvez esse seja o objetivo de Stevens durante todo esse tempo.

Longo, demasiadamente longo

Eu não penso em fazer um post de menções honrosas – até porque ainda falta algo dedicado aos meus discos favoritos de 2017 por aqui. Uma hora esse post sai, confie.

Angel Olsen operou na surdina esse ano após um 2016 em que entregou My Woman, um disco tão cru porém amável. Phases, deste ano, é uma coletânea de raridades que demonstra uma lado menos calculista e mais bárbaro dela – o que justifica, pelo menos em parte, o fato de termos “Special”, uma canção de mais de sete minutos e que parece ser o produto de uma vida inteira.

Que 2017 tivesse discos e canções mais como isto.

O resumo do pop e do zeitgeist em 2017

Um título provocativo para um post que não serve a muitos propósitos.

Um post atrás, eu disse que não valeria muito a pena escrever sobre Pop 2, a mixtape de Charli XCX, justamente porque aquilo parece um experimento sobre o pop alternativo em 2017 do que, propriamente música – com uma notável exceção.

Esse remix, providenciado por A..G. Cook, de “Outta My Head”, e cheio de convidados ilustres, é a prova do que falei. Entretanto, existe uma catarse irretocável.

Por mais que eu não goste de admitir isso, isso aqui é puro zeitgeist.

Para o bem ou para o mal.