Sabático

Quatro horas da tarde. Sábado e domingo. São esses momentos que eu dedico, quase que num ritual, a um processo que já leva alguns anos.

Coar o café, sentar numa mesa, pegar um livro ou, ainda, sentar na frente do computador para escrever.

Escrever qualquer coisa.

Como isso daqui por exemplo.

De qualquer forma, existe algo de muito poético nessa imagem que eu construo desses momentos. De tão poético surge algo assim:

 

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Santo de nada

Dia desses, escrevi sobre como o Grizzly Bear trabalha muito com um ideal de tradição em sua música — pegando emprestado esta mesma descoberta de outro blog, por sinal. Na mesma época de Shields, deu para sacar que muito disto se dá por Daniel Rossen e suas composições.

Algo que merece ser compartilhado: Lindsay Zoladz escreveu, na época de sua resenha do Shields para a Pitchfork, no seu Tumblr, sobre como a música do Grizzly Bear tem algo de arquitetônico, no sentido de uma construção primordial e acolhedora.

I wrote a review of Grizzly Bear’s very good new album Shields yesterday. Something I couldn’t quite articulate — maybe because it is something that’s so bound up in my personal experience with their two previous albums — is the interplay between “home” and “homelessness” that I hear in their music. Veckatimest in particular captures something about the ecstasy (“In this old house, I’m not alone…/Even wasting my time with you doesn’t matter if I think it through”) and banality (“Take all evening, I’ll just be cleaning”) of domesticity. Shields is something different altogether: intricate enough that it still has its own particular atmosphere and sense of space, but it isn’t built on solid ground. The structure itself feels adrift.

A year after I moved out of the living room and into a room with a door, I worked in a cubicle next to a guy who lived on a house boat. The mornings after stormy nights, he would come into work looking a little grizzled, saying how it was hard to sleep sound on rocky waves, but hey, at least it was a home. Shields feels a little bit like that.

Eis uma alternativa para dizer a mesma coisa — só que de maneira mais bonita.

Grizzly Bear – Sun in your eyes from Arhtur on Vimeo.

Preciso admitir que sou indisplicente quando o assunto é acompanhar música — o seu mercado, falo dele aqui. Não foram poucas as vezes que, desde que comecei a rascunhar algo sobre canções e álbuns, só demonstrei máximo interesse em discos quando havia passado um, dois anos desde que a obra fora lançada.

Não foi diferente com Shields, do Grizlly Bear. Esta é a melhor música do mundo — eventualmente, claro.

Port Dusk

Provavelmente, eu já disse isto algumas outras vezes — mas não aqui: as minhas caixas de som não estão no que eu diria “ótimas condições”, mas elas ainda dão para o gasto. De ontem para hoje, elas, não sei como, pioraram e estão insuportáveis de vez. Não conseguem tocar nada direito. Exceto este álbum, Glam, do Mouse On Mars e discos parecidos com ele. Vou aproveitar enquanto penso em qual outro sistema de som comprar.