Caderno

Mexendo na prateleira de livros do quarto, redescobri um antigo caderno, de uns dois anos atrás, que contém alguns rabiscos, rascunhos e nada mais. Gostava de registrar qualquer coisa ali – como num quadro negro mesmo.

Numa determinada folha, duas citações que chamam a minha atenção.

Uma de Albert Camus:

I’m reconciling to the unhuman condition of the Universe.

E a mais importante de todas:

Philosophy is the justification of the pursuit of meaning.

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Um significado

Há alguns anos, escrevendo neste blog, eu disse que uma das graças do Natal é, justamente, parar o tempo ao seu redor. Mais um efeito colateral do que efetivamente graça, eu admito. Ao mesmo tempo em que há um sentimento de reunião – amor, ainda – a convivência familiar é limitada à sua essência. Não há uma alma viva na rua e o tempo de dezembro traz aquela melancolia tão característica do inverno de volta ao ar.

O Natal é uma prova de caráter: quem não consegue lidar consigo mesmo – nem, necessariamente, apreciar a solidão, o confinamento de almas.

É sair de casa e perceber que não há lugar melhor no mundo que si próprio e as pessoas ao seu redor.

Eis o milagre.

Feliz Natal.

Instrumentos fúteis

Ainda no ânimo de uma retrospectiva.

Uma das coisas mais difíceis para mim, ao longo deste ano, além de enfrentar a faculdade em si e a prova da OAB, foi escrever o meu TCC. Não no sentido de que ele foi uma prova – na verdade, adorei todo o processo no final das contas. Afinal, adoro escrever e pesquisar.

É que o meu tema não foi dos mais fáceis. Um cara do Direito que é também entusiasta de tudo aquilo que deveria ajudar a área jurídica mas que acaba por predá-la (a Filosofia por exemplo), passei algumas noites a fio escrevendo algo meio que sem rumo. No final de tudo, nas palavras do meu orientador, eis que surgiu um “ensaio filosófico-jurídico” sobre legitimidade, ativismo judicial e não sei mais bem o quê.

Agora que essas três entidades já passaram – faculdade, Exame da Ordem e TCC – eu me sinto confortável em colocar esse meu pequeno ensaio para fora. Existe tanta coisa a mais para ser descoberta nesse tema que, mesmo escrevendo este post, eu já me animo.

Como cantou Sufjan Stevens uma vez, palavras são instrumentos fúteis para descrever o mundo.

Mas a gente pode tentar.

O Trabalho está abaixo.

TCC – A formação de uma teoria da decisão judicial – Versão para o CD.

Siga o link.

Vida olímpica

Sufjan Stevens tem sido matéria recorrente por aqui. Esta é “Tonya Harding”, uma homenagem à atleta homônima envolta num escândalo digno de filme.

Como vi alguém dizendo, quem dera ter alguém tão cheio de amor para escrever algo assim.

Sinceramente, lendo tudo sobre o incidente que implicou Harding e manchou sua carreira para toda a vida, não sei em quem acreditar. Isso, entretanto, não reduz o brilho da canção. Muito provavelmente, só o amplifica.

Talvez esse seja o objetivo de Stevens durante todo esse tempo.

Longo, demasiadamente longo

Eu não penso em fazer um post de menções honrosas – até porque ainda falta algo dedicado aos meus discos favoritos de 2017 por aqui. Uma hora esse post sai, confie.

Angel Olsen operou na surdina esse ano após um 2016 em que entregou My Woman, um disco tão cru porém amável. Phases, deste ano, é uma coletânea de raridades que demonstra uma lado menos calculista e mais bárbaro dela – o que justifica, pelo menos em parte, o fato de termos “Special”, uma canção de mais de sete minutos e que parece ser o produto de uma vida inteira.

Que 2017 tivesse discos e canções mais como isto.

Rádio Ghibli

Antes de mais nada, e deixando que este blog se torne, pelo menos por enquanto, um depósito de links temporário, Sega Bodega passou pela NTS para entregar três shows completos de trilhas sonoras de filmes do Studio Ghibli.

É só isso mesmo.

E está tudo aqui.

Siga o link.

Vocês já sabem como eu vou passar os primeiros dias do recesso do Judiciário.

O resumo do pop e do zeitgeist em 2017

Um título provocativo para um post que não serve a muitos propósitos.

Um post atrás, eu disse que não valeria muito a pena escrever sobre Pop 2, a mixtape de Charli XCX, justamente porque aquilo parece um experimento sobre o pop alternativo em 2017 do que, propriamente música – com uma notável exceção.

Esse remix, providenciado por A..G. Cook, de “Outta My Head”, e cheio de convidados ilustres, é a prova do que falei. Entretanto, existe uma catarse irretocável.

Por mais que eu não goste de admitir isso, isso aqui é puro zeitgeist.

Para o bem ou para o mal.

Chamando o futuro

Tenho escutado muito a parceria entre Charli XCX e Carly Rae Jepsen, “Backseat”, a primeira faixa da mixtape nova de Charli, Pop 2. Talvez possa não valer a pena escrever sobre o álbum – sim, trata-se de um álbum no sentido mais completo da palavra – até porque ele não passa, às vezes, de um grande chamariz de nomes dentro do ecossistema do pop hoje em dia.

Porém, eu nunca poderia negar que eu esperei muito por essa parceria. Há dois anos, Charli XCX era uma espécie de promessa do pop perfeito, um espaço agora ocupado por Jepsen justamente. Hoje em dia, Charli é uma espécie de garota propaganda da PC Music – a produção não me deixa mentir.

De qualquer forma, é bom ver as duas encontrando-se no meio do caminho. Finalmente. Valeu a pena.