Arcos

Já devo ter dito, em algum outro lugar, que o Arcos foi um dos maiores sites jurídicos do Brasil. Muito embora tenha acabado em 2013, o acervo dele – seja sobre filosofia ou assuntos jurídicos do cotidiano, é um dos mais bacanas que existem na internet brasileira.

Por isso mesmo, gosto de explorar como um grande mapa que é. Até mesmo utilizei uma boa parte do material de Filosofia, como referência, no meu TCC ano passado. Nessas vigílias, encontrei um curso de Filosofia de Direito ministrado pelo professor que cuidava do site. Clique no link e você encontrará o conteúdo aqui. Uma das leituras mais leves e significativas sobre o tema.

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O outro

No livro de areia de Borges, o primeiro conto – ou crônica, pouco importa o gênero – é sobre, justamente, o outro. A diferença entre o sonho e a realidade é sobre como, às vezes, as duas coisas se relacionam. Diria que são idênticas para as melhores mentes. Eis a essência do realismo fantástico.

Também estou lendo o primeiro livro do 1Q84 de Murakami. Percebo, agora, e intercalando com Jorge Luis, que a diferença primordial no tratamento da diegese e da realidade reside, tão somente, no nível de lucidez empregado. Nada mais.

Preciso afunilar mais o pensamento, mas aqui fica o resumo de tudo: a diferença é de escala, logo ali no nível de tratamento da consciência da realidade. Assim se diz que a abundância de realidade, em verdade, sempre significou abundância de fantasia.

Preciso, entretanto, separar a fábula (Murakami) do estritamente real de cada dia que, por ventura, faz a centelha de magia escapar e vacilar (Borges e sua literatura movediça). Eis a lição que ainda merece outros posts. Inúmeros.

Orgulho

I was cold as I knelt there, I had broken out in a sweat. The man too was breathing heavily, he had exerted himself also, the rest was as much for him as for me. He knew what he was doing, I thought with sudden admiration; he knew how far to push and when to ease off, and I was excited at the thought of being taken further by him, of entering territories I had only glimpsed or had intimations of. Then, still keeping one hand on my head, he reached down and very quickly removed first one and then the other clamp from my chest, at which there was a quick flare of pain, making me cry out again, and then a flood of extraordinary pleasure, not sexual pleasure exactly but something like euphoria, a lifting and lightness and unsteadiness, as with certain drugs. He returned his hand to my head and gripped me firmly again, still not moving, having grown very still; even his cock had softened just slightly, it was more giving in my mouth. And then he repeated the word I didn’t know but that I thought meant steady and suddenly my mouth was filled with warmth, bright and bitter, his urine, which I took as I had taken everything else, it was a kind of pride in me to take it. Kuchko, he said as I drank, speaking softly and soothingly, addressing me again, mnogo si dobra, you’re very good, and he said this a second time and a third before he was done.

O mês do orgulho no The Paris Review.

Subversão

O pop não é naturalmente subversivo. É, em verdade, gracioso. Entretanto, ele tem a capacidade de se adaptar em relação a qualquer ambiente – até o verdadeiro horror do materialismo. Nesse contexto, a Miami da Kali Uchis ganha o caráter latino que sempre foi renegado.

Pense nesse clipe como uma versão boa de The Florida Project.

Autofagia

Abri o 20JFG hoje e eu me deparei com um texto sobre como o pop vai devorar a si próprio. O assunto, definitivamente, não é novo, e remonta há pelo menos desde que alguém ousou dizer que a diferença entre indie e pop é, ao menos, insignificante  – para ser educado e polido aqui.

Digo isso porque, ao ler o texto do 20JFG – sobre como o pop pode amar a si próprio – lembrei que eu já escrevi e já pensei sobre o assunto antes de largar tudo e começar a escrever sobre coisas menos práticas e que importam mais para mim e menos para o mercado. Sobre o Bubble Pop, eu disse que o indie – ou que consideravam indie em 2012 de qualquer forma – estava tentando criar um cenário popular dentro de si próprio. Uma tentativa forçada de criar arquétipos como Solange e Sky Ferreira por exemplo.

O meu artigo – e o túnel do tempo – estará visível se você clicar aqui.

Tá tudo muito inabitável hoje, longe do ideal e do normal.

Principalmente a internet, esse mato.

O blog não merece lidar com quem julgar importante falar sobre caminhão e gasolina quando o dia todo foi resumido a isso.

É babaquice regurgitar o que foi dito, o que todo mundo diz e que o não para de ser conversado. É como se a existência do brasileiro médio mor fosse falar – de qualquer coisa, mas mesmo assim falar. Na insignificância de cada um. Não de algo que possa realmente ser relevante para cada um. No sentido de tagarelice insuportável mesmo.

Esse espaço aqui é sagrado.

Coitado dele.

Por isso, encerro a transmissão.

Até.