[CLIPE] Charli XCX – “Nuclear Seasons”

Lembra da fantástica “Nuclear Seasons”? Então, Charli XCX lançou o clipe dessa canção, com um arsenal de referências pop oitentistas. Vale a pena.

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Adele e o conto de fadas do pop contemporâneo – ou como a nação coxinha vai dominar o mundo

Já se tornou um enorme clichê dizer que o pop vive em círculos (nem tão perfeitos, é verdade), mas é praticamente impossível discursar sobre o assunto sem dizer que para Justin Bieber há já uma Lady GaGa e para cada Adele (já era hora de falar dela, não? Afinal, o post é sobre ela…) há uma espécie de Radiohead.

Admito que essa é uma forma bastante pragmática de se tratar a indústria fonográfica, mas, sinceramente, que outra forma temos em uma época de verdade trambolhos empresariais como o Black Eyed Peas?

Adele é, portanto, uma verdade caricatura desse nosso momento. Mas a pergunta mais importante que quero tentar responder é: Por que ela faz tanto sucesso?

21, o álbum que a lançou ao estrelato, é bastante regular, se não fosse a presença de dois singles fortíssimos (mas nem por isso exatamente excelentes), “Rolling In The Deep” e “Someone Like You”. E é por isso que, muito provavelmente, 21 será conhecido como o Fearless de 2011.

Adele, com “Roilling In The Deep”, um dos maiores hits do ano

Quando pergunto para as pessoas o que elas mais admiram nela, o primeiro fator (e talvez único, ora) é a voz. Esse é um argumento vazio (vide Bob Dylan e o diabo a quatro), mas o caminho que quero seguir não é esse, então eu divago…

A música de Adele é basicamente teatral, e por isso segura, e 21 a apresenta de forma derivativa. Portanto, o sucesso de Adele não é totalmente imprevisível. Os dois hits que ela emplacou vão do gigantesco (“Rolling…”) até o mais ìntimo (mas não menos épico), na já citada “Someone Like You”. Esse desdobramento, no mercado da música, é, acima de tudo, necessário.

Ela entrega suas emoções derradeiras de forma pronta, apática. Ela é a mulher de coração partido que canta de maneira digna sobre amor, com hinos gigantescos. E, caramba, quem não se identificaria?

Mas tamanha previsibilidade faz nossas esperanças musicais retrocederem: o que acontecerá depois de Adele? Qual será o fenômeno pós-Adele? Como já foi dito, o pop vive em ciclos. Então, a pergunta agora é: quando nós teremos uma nova Lady GaGa, só para agitar o nosso mundo?

Até agora…

1 James Blake James Blake
2 PJ Harvey Let England Shake
3 EMA Past Life Martyred Saints
4 Bon Iver Bon Iver
5 Lykke Li Wounded Rhymes
6 WU LYF Go Tell Fire To The Mountain
7 Fleet Foxes Helplessness Blues
8 Gang Gang Dance Eye Contact
9 Colin Stetson New History Warfare Vol. 2: Judges
10 Destroyer Kaputt
11 Panda Bear Tomboy
12 The Antlers Burst Apart
13 Tim Hecker Ravedeath, 1972
14 Nicolas Jaar Space Is Only Noise
15 Washed Out Within And Without
16 Africa Hitech 93 Million Miles
17 The Caretaker An Empty Bliss Beyond the World
18 The Weeknd House Of Balloons
19 Shabazz Palaces Black Up
20 The Men Leave Home
21 John Maus We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves
22 Julianna Barwick The Magic Place
23 Cults Cults
24 Pure X Pleasure
25 Tyler, the Creator Goblin
26 Liturgy Aesthethica
27 Fucked Up David Comes To Life
28 Araabmuzik Electronic Dream
29 Radiohead The King Of Limbs
30 Eleanor Friedberger Last Summer
31 tUnE-yArDs w h o k i l l
32 How To Dress Well Just Once EP
33 Girls Father, Son, Holy Ghost
34 Wild Beasts Smother
35 Shlohmo Bad Vibes
36 Long Arm The Branches
37 Katy B On A Mission
38 Grouper A I A : Dream Loss
39 St. Vincent Strange Mercy
40 Dirty Beaches Badlands
41 Ty Segall Goodbye Bread
42 Marissa Nadler Marissa Nadler
43 Whatever Brains Whatever Brains
44 The War on Drugs Slave Ambient
45 The Weeknd Thursday
46 The Pains Of Being Pure At Heart Belong
47 Eric Copeland Waco Taco Combo
48 Dom Family Of Love EP
49 Danny Brown XXX
50 Beyoncé 4

Beyoncé vai muito provavelmente sair da lista e acredito que o álbum da Bjork vá mudar algo no top 20.

Pouca coisa vai mudar, no final das contas.

MASSIVE ATTACK – “TEARDROP”

Embora “Teardrop” seja considerada só a flor bela de Mezaninne (e o crédito todo vá para a também incrível “Inertia Creeps”), os vocais angelicais de Elizath Fraser merecem mais atenção.

O contraste no qual a canção opera é bastante evidente: a tranquilidade da voz de Fraser versus as batidas repetitivas e às vezes sinistras, o solo de piano contra a atmosfera asfixiante. Por isso me talvez me lembre demais “How To Disappear…” do Radiohead.

Elizabeth disse que essa canção foi escrita para Jeff Buckley, morto na época. Faz sentido. E só agora percebo que tenho uma forte ligação com canções que discursam sobre a morte. Estranho, senão sinistro.