Uma nota rápida

Gosto de escrever, seja aqui ou em documentos ultrassecretos no Google Docs, porque a atividade evita que eu esqueça ou me perca em ruminações.

Comecei a especialização ontem, sábado, e tive aula o dia inteiro. Uma experiência memorável com certeza. Mas hoje, depois de tudo isso, eu me peguei pensando em algumas coisas que não devem ser esquecidas tão facilmente.

É que a questão da função e um conceito de Direito sempre serão questionamentos essenciais – os primeiros, digo – para mim. Dessa forma, não consigo evitar de pensar que a Academia não produz real conhecimento nesse estágio da vida. Talvez por isso acabe me afastando dela.

Deixe-me explicar – ou não.

Existe um comportamento quase protocolar na Academia. Algo de que o Direito, justamente por ser o Direito – um ente que é, ao mesmo tempo, ser que preenche a vida social e individual, portanto não-ignorável – participa de maneira destacada.

Não consigo parar de pensar que o planejamento grego para as faculdades tenha se perdido em algum lugar no tempo, tendo aí a gênese de um comportamento que deu vida a elites e que viu na vida acadêmica per se – a profusão de artigos, congressos, discussões infindáveis e protocolares, quase uma profissionalização da geração de conhecimento.

Buscar conhecimento por um outro viés senão si próprio é pragmatismo, o que leva a consequências horripilantes – até, digamos, a destruição do próprio conceito de honestidade e prostituição intelectual.

A simplificação da vida, digo.

Entretanto, percebo que a Academia cria um próprio sistema de retroalimentação de egos – e isso não deveria ser novidade para ninguém. O que acaba sendo o contrário de um comportamento honesto consigo próprio e com os outros.

É pouco para gerar um relatório conclusivo, mas é o suficiente para perceber que permanecer o mesmo, dentro dessas situações, demanda bastante resiliência.

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Confusão institucionalizada no Direito

Mais um ano, mais uma primeira coluna do Lenio Streck pra perder a fé no Direito brasileiro. Como um professor meu me fez aprender, o Direito no Brasil, coitado, ele não tem solução. Eis a coluna sobre uma decisão política do STJ.

Caderno

Mexendo na prateleira de livros do quarto, redescobri um antigo caderno, de uns dois anos atrás, que contém alguns rabiscos, rascunhos e nada mais. Gostava de registrar qualquer coisa ali – como num quadro negro mesmo.

Numa determinada folha, duas citações que chamam a minha atenção.

Uma de Albert Camus:

I’m reconciling to the unhuman condition of the Universe.

E a mais importante de todas:

Philosophy is the justification of the pursuit of meaning.

Rádio Ghibli

Antes de mais nada, e deixando que este blog se torne, pelo menos por enquanto, um depósito de links temporário, Sega Bodega passou pela NTS para entregar três shows completos de trilhas sonoras de filmes do Studio Ghibli.

É só isso mesmo.

E está tudo aqui.

Siga o link.

Vocês já sabem como eu vou passar os primeiros dias do recesso do Judiciário.

[Julius Krein]

Mr. Trump once boasted that he could shoot someone in the street and not lose voters. Well, someone was just killed in the street by a white supremacist in Charlottesville. His refusal this weekend to specifically and immediately denounce the groups responsible for this intolerable violence was both morally disgusting and monumentally stupid. In this, Mr. Trump failed perhaps the easiest imaginable test of presidential leadership. Rather than advance a vision of national unity that he claims to represent, his indefensible equivocation can only inflame the most vicious forces of division within our country.

Palavras de quem, um dia, apoiou esse homem.

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Post scriptum: Continuando a falar desse homem, gostei bastante do American Affairs, publicação que ele começou mais cedo este ano. Eis algo sobre o conservadorismo e sua corrupção – claro, pela economia.

 

Eu queria estar lá

O New Yorker fez um retrato apaixonante do que foi Carly Rae Jepsen acompanhada de uma orquestra, nesse final de semana, em Toronto.

Em suma: eu queria estar lá.

The orchestra began, suddenly, in a way that resembled star formation—dense clouds of melody floating in suspension and then, under piccolo flurries and timpani rolls, fusing into one. A sax line emerged, neon with yearning, and Jepsen came out to sing “Run Away with Me,” unprotected by reverb and curling her voice tight around the notes. She glittered in her peculiar, brilliant, half vacant way. Jepsen is, for a pop star, a remarkably unassuming presence—she always seems like a conduit for something, rather than the thing itself—and though she managed the evening’s performance appropriately, like a diva, with a gown change and Streisand gestures, it seemed to me as if she could’ve been singing in front of her bedroom mirror, or in a dream. It just so happened that she was in front of a full symphony orchestra, facing a crowd of people who would eventually jump to their feet and sing along and dance like they, too, were alone in their rooms. The orchestra was heartbreaking, restrained by the simplicity of the songwriting and yet inherently hyperbolic. The violins took up the moments where, normally, on her albums, you’d hear Jepsen ad-libbing with interjections. Instead of a “Hey!” their bows would strike, like an epiphany, a burst of sweetness outside the realm of words.