Notas

Pazz & Jop

O Village Voice divulgou hoje os resultados do Pazz & Jop deste ano (o do ano de 2014 no caso). É a primeira vez em que participo da votação de melhores discos e canções do ano da publicação — já quartenária, pelo que me parece.

Aqui estão os meus votos.

Aqui estão os votos com a análise estatística feita por Glenn McDonald.

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A melhor coisa que você vai ler sobre “Blank Space” ainda

I still think about “Blank Space” (and pop music and pleasure and perfection and) a lot, about how my mother asked me Why’s it called “Blank Space”? and I said, Becausethere’s something inside me I need to fill! It was true, but I was embarrassed about it. I’ll never be a maneater; I’ll never weaponize the parts of me that are soft. Even the way I like to listen to the song, which is imagining not that T wakes up afraid I’ll ruin his life but ablaze with the knowledge I never could, which is pretending that it is in fact at all possible to weaponize being in love or being a supplicant or being the quiet half of an affair, which is the fantasy that my exes sit down by candlelight and tell ghost stories about how hard I cried, all this is still a recognition of powerlessness, of the suffering of the inevitable cycles we find ourselves in. If I couldn’t get control, I was going to sing about it. I tried it once: dated a guy who had no power over me so I planned dates then canceled them, returned some of his e-mails and left others empty, matched his tone once so he’d think my heart was open then played dumb til he went away. You can do that when boys really want torture. Most don’t. If you’re the one waiting for the e-mail, you’re the one with the blank space and emptiness will never be a gun no matter how hard you try. I think about that ending a lot, how he leaves and the new guy pulls up to her big beautiful mansion in his car and she smiles at us like, I’ll never feel full. I’m going to keep eating. Anyway, I’m seeing my boyfriend on Thursday and I’m going to try to have a good time.

Luisa Lopez

Posse

Lembro de pensar em algo como resposta aos comentários de Facebook e Twitter à posse da presidente, mas acabei esquecendo de mencionar. Aqui vai:

Os moderados são os primeiros a cair em desgraça pela fraqueza de espírito e pela aversão à verdade.

É por aí, acredito.

Ato

É um dia comum, como quase todo dia.

A luz do quarto está apagada, e a do monitor deixa a gente com as “papadas iluminadas”, como um texto que li esses dias faz questão de deixar claro e de dizer que isto é algo vergonhoso, que deveríamos evitar algo assim.

O cão está dormindo — e é só isto o que ele faz, o que ele sabe fazer. Nada mais. Nada menos.

Esperando que a hora certa chegue. A minha hora. Não a dele.

Alguém já escreveu um livro sobre esperar, não é mesmo? Um livro definitivo sobre o ato de esperar, melhor dizendo. Que não seja um livro de Kafka (que Deus me livre), e sim um do Heidegger. Aquele sujeito sabia esperar.

Algo que se aprende. Assim como se aprende a escrever à meia luz.

A cada dia que passa, eu fico mais convencido de que escrever sobre determinado assunto não tem  a ver muito com o conhecimento deste determinado escopo, desse assunto. Não digo que as pessoas que escrevem a respeito de música, por exemplo, não devem conhecer música — muito pelo contrário aliás. Digo, porém, que não é um conhecimento que deve ser restrito ao assunto. Citando as professoras mais progressistas do Ensino Fundamental, esta é uma “atividade multidisciplinar”.

Para escrever, é preciso não somente ter um domínio intelectual, mas também, físico e emocional sobre a paisagem que se quer pintar com as palavras. Digitação e caligrafia requerem controle emocional, assim como a via da abstração para o concreto que requer controle ideológico de si mesmo, para que extremismos não sejam facilmente feitos.

Escrever requer uma ideia de mundo e ela não vem facilmente. Conheço gente que quer escrever sobre as montanhas sem nunca ter saído do quarto. Na verdade, retifico: criar (roubar da consciência de outrem em outro momento) algo, qualquer coisa, requer entendimento estético ainda. Entendimento este que transcende o ser em si próprio.

 

Humor e(m) Política

Uma amiga da época do Ensino Médio, com quem eu mal falo já faz um dois anos, compartilhou no Facebook um quadrinho pró-governismo, no melhor estilo Dilma Bolada, com a presidenta dizendo, em um de seus quadrados, que iria naturalizar todos os estrangeiros que estivessem no Brasil durante a copa, e que a “taça fica aqui”, numa referência clara à goleada que o Brasil sofreu da Alemanha no último dia oito. No último quadrinho, lia-se “vlw flws”, linguagem comumente usada nas redes sociais.

Tudo aquilo me lembrou muito da recente conferência online que o Olavo realizou dia desses, reunindo membros da direita liberal (que nada têm de conservadores), discutindo o papel do humor na política.

Não tinha nada de engraçado nos dois acontecimentos acima.

Para que servem os blogs, senão para falar das coisas mais repentinas que cercam o nosso imaginário?

Bem, no Medium, um post digno de atenção sobre escrever surgiu na minha lista de leitura.

Quando escrever dói, alguém escreve que,

But publishing a piece on Medium a few times a year when the words “come to you” doesn’t make you a writer, just like being in one commercial as a baby doesn’t make you an actress for the rest of your life. Being a writer is the willingness to smack yourself in the head with a book until the words come out. It’s the foolishness to enter the ring with no certainty of a win and take body shots hoping that something good will come of it. It’s painful and it’s messy and it’s beautiful.

 

O ar na cidade agora, em pleno dia de jogo do Brasil na Copa de Mundo, está mais seco, está mais pesado devido ao frio.

São nestes momentos que você percebe — o simples andar para fora de casa para resolver problemas casuais — a poluição dos carros e caminhões batendo bem na sua cara. Aquele ar quente que resiste em sair do seu rosto.

Penso, agora, sobre a questão da desordem, algo que um pessoal no Tumblr e do WordPress adora comentar (postular seria uma palavra melhor ainda) com — olha só! — ares de propriedade.

Não falo de uma desordem que chame a noção mais conhecida do brasileiro médio de caos — um monte de gente não sabendo o que fazer, o que enfim “sentir” em determinado lugar –, mas de uma condição estética mesmo em primeiro lugar.

No meu bairro, vejo estes resquícios de uma tradição que já se prostituiu ao progressismo e ao liberalismo. Não só porque tudo é feio, como boa parte da cidade — corrijo: toda a cidade, a cidade em si (se preferir assim) — mas porque há uma demonstração de crescimento exacerbado em todos os cantos (o que, enfim, contribuiu para a contaminação da paisagem). Lembro de uma citação que separei há um mês, mais ou menos, que fala de maneira interessante da questão dos carros e, consequentemente, do urbanismo que nos é jogado na cara todo dia.

The people who built the cars and the roads didn’t intend for this to happen. Perhaps they didn’t feel they had a say in the matter. Maybe the economic interests promoting car culture were too strong. Maybe they thought this was the inevitable price of progress. Or maybe they lacked an alternative vision for what a world with cars could look like.

(De uma palestra chamada The Internet With a Human Face. Vale a pena ler tudo aqui.)

Não é que carros são essencialmente uma forma ruim de condução. É que não sabemos mais como lidar com eles sem que nos tornemos escravos dessa locomoção. Não conseguimos — e aí está a palavra chave: — imaginar uma vida sem que estejamos presos a um.

Foi quando o homem perdeu o contato com a terra e com sua natureza que ele perdeu o contato com si próprio.

Então o ar está mais pesado porque está mais frio, o mais incauto pensaria.