A noção de soberania

Quando é preciso socorrer-se em Dugin, eis quando a coisa tá feia.

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Inteligência e burrice

Algumas considerações do Facebook que, pensando melhor, deveriam ter parado aqui.


Há alguns dias eu tava pensando sobre o que faz de alguém burro ou inteligente. Não me perguntem a razão por trás desse questionamento, mas talvez assistir a Evangelion numa tacada só tenha influenciado essa série de pensamento.

É que a maioria das pessoas associam inteligência ou burrice a alguma capacidade bastante especial. A capacidade de associar fatos, números e coisas que podem ser quantificadas. Essa é uma asserção errada: a capacidade ou incapacidade para a realização dessas coisas bem específicas da vida são somente desdobramentos da personalidade de uma pessoa.

Inteligência tem a ver com o que se denomina consciência de si ou, para os mais incautos, autoconhecimento mesmo. A capacidade de se perceber como pessoa e ter consciência disso – seu lugar, suas particularidades, etc. Todo que envolve ser efetivamente alguém e (aqui está o elemento fulcral) saber mesmo disso.

É por isso que é possível enxergar a burrice mesmo naquelas pessoas que dominam determinadas áreas, mas tem um conhecimento e uma consciência tal porca de si que beira a alienação. Seja por meio de distrações fúteis, seja por qualquer outra coisa.

É que ter consciência de si requer coragem. Por isso o burro é sempre aquele que gosta de se enganar.

Algo importante: eis algo que escrevi num outro blog há algum tempo e que acredito, agora, que serve mais aqui do que em qualquer outro lugar. Enfim, eis o que tive a dizer nessa oportunidade.


No começo da semana, tive a oportunidade de viajar para ter uma reunião com alguns clientes de bem longe (Goiás, por assim dizer) de um caso que só agora pode vir a possuir algum deslinde favorável – um inventário bastante litigioso e em trâmite há mais de três décadas.

Sentei, num dado restaurante, ao lado de uma cliente, uma senhora que aparenta beirar os cinquenta anos de idade. Conhecia a mulher há pouco mais de meia hora e ela já contava as peripécias dela.

Em determinado momento, a conversa rumou a tópicos acerca da inteligência ou esperteza e como pessoas têm ou não têm esses determinados traços de personalidade. “Sabe, Danilo, eu sou esperta, mas não sou inteligente como você. A maioria das pessoas não têm nenhuma dessas características”.

“Mais difícil ainda é encontrar gente esperta e inteligente”. Talvez ela quisesse falar da esperteza e inteligência em igual medida.

A gente, naquele momento, não parou para dissecar o significado da palavra “esperteza”. Demoraria muito e nós nos perderíamos em conceitos. Simplesmente não era a hora.

Mas a conversa vai ficar guardada. E como vai.


Post scriptum: Eu adorei essa mulher. Quero ser como ela quando crescer.

Deixando a New Yorker para falar sobre letras de música

A notícia do Sasha Frere-Jones saindo do cargo dele de crítico de pop da New Yorker para trabalhar para uma start-up — a (Rap) Genius — deixou todo mundo de boca aberta, pegando todo mundo de surpresa. Enfim, este link em que reúne algum dos melhores textos dele serve como guia, feito por alguém que influenciou imensamente a forma com que eu penso sobre música e arte.

Pazz & Jop

O Village Voice divulgou hoje os resultados do Pazz & Jop deste ano (o do ano de 2014 no caso). É a primeira vez em que participo da votação de melhores discos e canções do ano da publicação — já quartenária, pelo que me parece.

Aqui estão os meus votos.

Aqui estão os votos com a análise estatística feita por Glenn McDonald.

A melhor coisa que você vai ler sobre “Blank Space” ainda

I still think about “Blank Space” (and pop music and pleasure and perfection and) a lot, about how my mother asked me Why’s it called “Blank Space”? and I said, Becausethere’s something inside me I need to fill! It was true, but I was embarrassed about it. I’ll never be a maneater; I’ll never weaponize the parts of me that are soft. Even the way I like to listen to the song, which is imagining not that T wakes up afraid I’ll ruin his life but ablaze with the knowledge I never could, which is pretending that it is in fact at all possible to weaponize being in love or being a supplicant or being the quiet half of an affair, which is the fantasy that my exes sit down by candlelight and tell ghost stories about how hard I cried, all this is still a recognition of powerlessness, of the suffering of the inevitable cycles we find ourselves in. If I couldn’t get control, I was going to sing about it. I tried it once: dated a guy who had no power over me so I planned dates then canceled them, returned some of his e-mails and left others empty, matched his tone once so he’d think my heart was open then played dumb til he went away. You can do that when boys really want torture. Most don’t. If you’re the one waiting for the e-mail, you’re the one with the blank space and emptiness will never be a gun no matter how hard you try. I think about that ending a lot, how he leaves and the new guy pulls up to her big beautiful mansion in his car and she smiles at us like, I’ll never feel full. I’m going to keep eating. Anyway, I’m seeing my boyfriend on Thursday and I’m going to try to have a good time.

Luisa Lopez

Ato

É um dia comum, como quase todo dia.

A luz do quarto está apagada, e a do monitor deixa a gente com as “papadas iluminadas”, como um texto que li esses dias faz questão de deixar claro e de dizer que isto é algo vergonhoso, que deveríamos evitar algo assim.

O cão está dormindo — e é só isto o que ele faz, o que ele sabe fazer. Nada mais. Nada menos.

Esperando que a hora certa chegue. A minha hora. Não a dele.

Alguém já escreveu um livro sobre esperar, não é mesmo? Um livro definitivo sobre o ato de esperar, melhor dizendo. Que não seja um livro de Kafka (que Deus me livre), e sim um do Heidegger. Aquele sujeito sabia esperar.

Algo que se aprende. Assim como se aprende a escrever à meia luz.