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No Tiny Mix Tapes,

There are pop stars whose stories are fake and easy to enjoy ironically or superficially like candy, the stuff we can just digest. We have little to lose by loving them, because their artificiality has nothing to do with us. Lana Del Rey implicates the listener in the impossibility of her authenticity and the conviction with which she holds onto abandoned Americana. We’d have to be out of touch for her out-of-touchness to resonate. We have guards in place to protect us from vapid pop stars who subscribe to heterosexist imagery and imperialistic consumer capitalism, but little patience for a pop star whose conceptual and sentimental fascination lies with an imaginary middle-class America that existed as a dream of the 50s, 60s (70s, 80s, 90s, 00s, 10s, 20s, 30s, 40s…).

Na Pitchfork, Lindsay Zoladz em uma nova Ordinary Machines,

When Del Rey does sing about striving to acquire power, it’s usually by fighting exploitation with more exploitation (“Hallelujah, I’m gonna take men for all that they’ve got,” she sings on the sumptuously menacing “Money Power Glory”). Ultraviolence is poised to be a huge hit, and I think part its appeal is how boldly it flies in the face of the previous generations’ values; songs like “Fucked My Way Up to the Top” seem tailor-made to troll the kind of parents who told their daughters that they could achieve anything the boys could through hard work and self-respect. And while there’s something dismaying about Ultraviolence’s vacant, defeatist worldview, it also taps into a genuine fatigue that a lot of young people—and girls in particular—have when it comes to “achievement.” Not that this is anything new; this fatigue is just a part of being young. After all, isn’t this the same thing that spoke to me about “Pictures of Success”?

As duas citações são fruto de leituras e interpretações exageradas e forçadas — a primeira, com um quê de pós-estruturalismo que força qualquer um que tem bom senso a discordar de algo assim.  A segunda é uma leitura histérica, típica de quem vê valor social em obra alguma. As duas representam o que há de errado em si mesmos, mesmo que venham de lugares e perspectivas dentro do pop.

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Um diagnóstico breve porém nada simples:

Há, antes de tudo, na blogosfera (ou o que restou dela ultimamente) duas formas de falar de música: uma que ignora todo o espectro que uma canção ou um disco contém que modifica o mundo em que vive e convive, em que se instaura, tendo, assim, um resultado naturalístico, espirituoso, e outra que somente se respalda no tal resultado naturalístico que existe no mundo, criando uma confusão institucionalizada (ou, ainda, às vezes, alimentando-se de tal confusão) que vive de falar de contexto social e coletividade de uma dada obra. São as pessoas que escrevem resenhas quase que por uma obrigação mecanicista e nada mais. Não detém paixão e por isso separam as coisas quando as deveria unir.

A segunda forma de ver o mundo destrincha essa relação e é a que vê somente a imagem e se deixa ser enganada (e eu odeio citar os pós-modernos, mas vamos lá) pela iconofagia que se referencia a cada dia mais pelo nada e pelo vazio, um projeto em andamento cada vez mais viral. A crítica é isto: hipertextos (porque não deixam de ser textos, simples textos que não alçam voos maiores por preguiça) que referenciam a obras que referenciam a outras obras que…. E assim vai.

Não digo que estou imune a este pensamento, mas tento esquivar desse tipo de retórica e de conduta. É por este exame de consciência que se percebe o engano e o erro.

Um dos principais problemas que eu percebo quando, pelo menos algumas vezes, paro para pensar nas resenhas da Pitchfork e o formato delas é que as notas numéricas tão exatas e assépticas que saltam da tela direto aos olhos (8.8! 10! 5.0! 7.9!), querendo ou não, involuntariamente, tentam tratar de história do pop de maneira infantil e linear. Por exemplo: a resenha desta semana para Nightclubbing, álbum marco de Grace Jones. Um 9.0. O problema de uma asserção desta é óbvio: uma nota desta recoloca e faz praticamente uma revisão do lugar, antes bem definido, deste disco na década de oitenta. Agora, fica a questão: Shields do Grizzly Bear é infinitamente melhor que este disco? Pois é isto que uma escala numérica deste tipo propõe a todos.

No primeiro episódio de Daria (série animada da MTV dos anos noventa), se não me engano, a garota que dá nome à série pergunta para Jane: “Por que você não acerta todas as questões do teste de autoestima e se livra do curso?”. Jane diz: “Eu gosto de ter baixa autoestima. Faz com que eu me sinta especial.”

Eu entendo Daria e, principalmente, entendo Jane.