Faz meses desde que postei algo aqui. Um misto de falta do que, realmente, falar, e de tempo. Em parte, também, porque tanto o Tumblr quanto o Medium me parecem mais familiares.

Entretanto, pretendo realizar uma recapitulação digna do ano. Tudo envolvendo os filmes, álbuns e livros que “devorei” este ano.

Esse é, basicamente, um post para dizer e rememorar que isto aqui, este blog, ainda está de pé.

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O outro, parte 3

Uma das maiores canções do ano é um cover mal feito.

Infante, como a própria Sky Ferreira chega a dizer.

Os bons covers são performances e somente isso. “Nothing Compares 2 U” é um exemplo dessa técnica.

Os incríveis, os paradigmáticos, tomam a canção para si. Criam nova vida a partir da história do outro.

Depois de cinco anos no limbo, Ferreira volta recriando a própria história portanto.

Como escutar música

Deve ser a enésima vez que digo isso, mas não escuto mais música tal como antigamente. Separo a atividade em blocos agora. Sei que, durante a semana, a atenção que dou ao assunto e aos álbuns e às canções é ainda existente, porém tudo funciona de maneira diferente. É uma forma de passividade obstinada com a qual deveria lutar. Deveria resistir ao impulso de simplesmente escutar sem tirar e receber nada. E também sem dar nada em troca – alguma reflexão, algum momento, algum pensamento que, eclodindo mais tarde, poderia virar algo mais elaborado. Tal como este post neste blog.

Restam, portanto, os finais de semana. E uma escuta mais atenta. Nada como (e também nada contra) a escuta ativa e sound designer de uma Pauline Oliveiro. Gosto, nesse curto espaço de tempo que me sobra hoje em dia, de deitar na cama e colocar algum disco para tocar. É, alguns podem objetar, que se trataria de mais uma escuta passiva e pouco envolvente. É o contrário. Veja: essa é uma opção que não se tem ao longo da semana com todas as atribulações. É um luxo agir assim – supostamente praticar o ócio que somente se aparenta ócio. É reflexão. É pensamento.

Isso permite que eu obtenha – melhor dizendo, restabeleça algo perdido há muito, há anos – um tipo de relação com a música. Não algo sacro, mas ainda bem pra lá de bonito. É uma alimentação.

Escuto agora All Things Must Pass, de George Harrison. Nos finais de semana, ao contrário do que ocorre durante a semana, gosto de escutar discos que mais se assemelham a conselhos. Dicas musicadas. Discos-conselhos. Álbuns que apresentam melhores versões de ti. Há algumas semanas, foi Nebraska, de Bruce Springsteen. Obras pensativas. São misteriosas. Algo que se pratica num quarto, pensativo e enclausurado.

É o mais próximo que a música chega da religião. Esses momentos de fechamento e mistério.

Soterrado e esquecido

Muito embora eu goste de dizer que ainda falta algum tempo para que este blog se torne, de vez, um depósito de links, a verdade é que a cada dia que passa eu me torno mais confortável com o simples fato de colocar um link de uma canção aqui e deixar para lá.

As canções – principalmente esta aqui – falam por si só. Retirado de The Avalanche, o disco de restos do álbum anterior de Sufjan, “Pittsfield” remete a lugares, mas não só a isso.

A uma morada também.

Esquecimento ontológico

O filósofo diz: “Não somos mais uma comunidade natural de irmãos ou de fiéis, mas um grupo de indivíduos unidos por meio do estabelecimento de uma constituição que regula a organização e o exercício do poder político.”

A lembrança de uma Constituição, portanto, implica, necessariamente, no esquecimento da vida.

T.G.I.F. x G.N.O.

Queria fazer que nem o Tiny Mixtapes e postar somente um monte de .gifs, mas não é possível: muito embora Charli XCX tenha lançado, desde o ano passado, duas das melhores coletâneas de música pop recente, “Girls Night Out”, uma canção que ela tinha guardada já desde algum tempo, não é lá grande coisa. Um chiclete estragado.

Um sonho é uma história em si mesma

Há alguns meses, neste blog (se não me engano, numa postagem de fevereiro), eu disse que queria escrever um livro ou, ao menos, um conto. Poderia ser qualquer história e envolver qualquer assunto. Não necessariamente deveria ser sobre algo. Deus sabe que a melhor literatura (a qual eu humildemente aspiro) não deve limitar-se a enviar meras mensagens a seus leitores e consumidores e, entretanto, ser retratada numa experiência – a qual eu, novamente, digo aqui que aspiro.

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24 de julho, 09h30 @ Escritório

Dois dias atrás, uma conversa com uma colega de trabalho sobre um assunto um tanto inusitado. Eu comentava sobre um ex-namorado de um amigo que seria a contradição em pessoa. O sujeito não se aceitava: muito embora namorasse com um homem, dizia que o sexo era pecaminoso e, em diversas situações, disse também que verdadeiros relacionamentos somente ocorriam entre homens e mulheres.

A minha colega concluiu que o menino era louco, mas com uma ressalva:

“Não tem idade para alguém estar perdido na vida, Danilo. Pode estar aos trinta, quarenta, cinquenta, sessenta”.

Vou guardar isso.